No fim do dia, a ação ordinária (ON) do frigorífico teve queda de 10,70%, cotada a R$ 3,84. Foi a quarta ação mais negociada da sessão. No ano, o papel acumula queda de 28%.
Ao redor de 7% das exportações brasileiras de carne bovina tiveram como destino o Oriente Médio em 2025, segundo dados computados pelo Itaú BBA. E cerca de 14% das receitas da Minerva no quarto trimestre de 2025 vieram da região.
As tensões geopolíticas estão gerando gargalos logísticos aos embarques de vários produtos. No meio disso, o aumento dos custos de fretes marítimos devido ao bloqueio no Estreito de Ormuz atinge em cheio as perspectivas de demanda da região.
“Os preços do gado continuam a subir no Brasil e o ciclo se torna negativo em meio a um cenário geopolítico incerto que pode pesar sobre as exportações daqui para frente”, resumiram, em relatório, os analistas do Santander sobre as perspectivas para a Minerva nos próximos meses.
O fechamento do Estreito de Ormuz pode ainda dificultar as exportações de proteínas para outras regiões como a Ásia. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) indicou que 30% a 40% das exportações brasileiras de carne bovina dependem de rotas que usam a passagem marítima controlada pelo Irã.
Analistas ainda apontam para uma conjunção de fatores negativos de riscos no horizonte, como a possibilidade de greve de caminhoneiros, a alta dos preços dos combustíveis e barreiras sanitárias chinesas à importação de carne do Brasil e de outros países.
A queda das ações da Minerva vem ainda a reboque dos resultados do quarto trimestre de 2025, considerados mais fracos que o esperado. O Ebitda, uma medida de lucro operacional, por exemplo, alcançou R$ 1,17 bilhão nos três últimos meses do ano passado, abaixo das expectativas do mercado, que esperava R$ 1,4 bilhão para o período.
As receitas líquidas alcançaram R$ 14,2 bilhões no quarto trimestre, uma queda de 8,4% na comparação com o trimestre imediatamente anterior e 4% abaixo do consenso do mercado.
A própria Minerva alertou na divulgação dos resultados que prevê uma rentabilidade mais pressionada neste ano. Para 2026, a expectativa da diretoria é de margens – uma medida de rentabilidade do negócio, isto é, quanto da receita se transforma em ganho após os custos – mais apertadas, diante da pressão de custos com frete, energia e, principalmente, a alta no preço do gado.