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A Prio pós-Tanure: o que acontece com as ações agora

Saída do investidor melhora a percepção do mercado, mas retorno tende a vir mais via dividendos do que valorização dos papéis

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A saída do investidor Nelson Tanure da Prio remove do radar um fator visto pelo mercado como um risco de governança na maior petroleira independente do país. A mudança tende a ter efeito positivo — ainda que limitado — sobre a percepção dos investidores e pode ajudar a destravar algum espaço adicional para valorização das ações.

O movimento ocorre em meio à exposição recente do empresário, alvo de uma operação da Polícia Federal nessa quarta-feira (14) que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro sob acusação de fraude. Tanure teve o celular apreendido no âmbito da apuração, que também mira sua relação com Daniel Vorcaro, controlador do banco.

Tanure chegou a deter cerca de 20% da Prio. Mais de 17% dessa fatia estava dada em garantia em um empréstimo junto ao Credit Suisse — posição encerrada pelo UBS após a aquisição do banco, segundo revelou a Bloomberg. O restante das ações foi praticamente todo vendido para quitação de outras dívidas. Não está claro, no entanto, em que período essas vendas ocorreram.

Uma fonte próxima à operação de venda dos papéis e a acionistas da companhia confirmou ao InvestNews a operação e disse que a saída do empresário elimina um vetor de pressão sobre as ações, já que parte da volatilidade recente estava associada justamente à colocação desses papéis no mercado — o chamado “overhang”, na linguagem dos investidores.

Para um gestor com posição na petroleira, o impacto é positivo, mas não altera de forma estrutural a tese de investimento. Segundo ele, a partir de agora o que tende a pesar mais é a execução operacional e a entrega de resultados, e não mais o ruído societário.

Desempenho

A Prio é bem avaliada pelo mercado, sendo vista como um case de disciplina na alocação de capital  ou seja, uma boa geração de caixa combinada com controle do endividamento. Ainda assim, as ações não refletiram esse otimismo: nos últimos 12 meses, acumulam alta de apenas 2%.

O retorno ao acionista, portanto, tende a vir mais pelos dividendos do que pela cotação. Com a posição de caixa fortalecida, a empresa tem três caminhos: distribuir proventos, reinvestir nas operações ou buscar novas aquisições. No momento, o mercado vê a remuneração ao acionista como o destino mais provável desse excesso de capital.

Relatório recente do BTG Pactual destacou que a companhia combinou um programa de recompra com o cancelamento de 27 milhões de ações — um “sinal claro de retorno de capital” ao investidor, sem comprometer a flexibilidade financeira para eventuais oportunidades de M&As.

Além de sinalizar confiança da gestão no próprio papel, a recompra reduz o número de ações em circulação e eleva o lucro por ação, o que tende a tornar o ativo mais atraente para quem deseja receber dividendos.

A Prio também atravessa um ponto de inflexão em sua estratégia. Após um ciclo intenso de crescimento, novas aquisições só fariam sentido se fossem grandes e altamente estratégicas — e o apetite por esse tipo de movimento hoje é limitado, dado que a Petrobras freou seu programa de venda de ativos desde o início do governo Lula 3.

Com a folga de caixa aumentando, analistas avaliam que cresce a probabilidade de o excesso ser direcionado à distribuição de proventos. É uma característica positiva para investidores focados em renda, mas menos sedutora para quem busca empresas com maior potencial de valorização via crescimento acelerado.

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