Uma disparidade de três pontos percentuais na taxa parece pouco. Não é. Ao longo de 30 anos, eles podem formar uma mordida de mais de 40% em cima do total – na comparação entre dois fundos que renderam o mesmo tanto. Ou seja, a cada R$ 1 mil brutos que você acumular, R$ 400 vão embora.
Nas simulações que você vê na tabela aqui embaixo, usamos como premissa aportes mensais de R$ 1 mil em um VGBL, o tipo mais comum de previdência privada, mais uma rentabilidade média anual de 10,6% ao ano – que foi o retorno médio do CDI entre 2005 e 2025.
É exponencial. Quanto mais longo o prazo, maior a perda com as taxas. Mas os valores para intervalos menores também são relevantes. Em 10 anos, os três pontos percentuais de diferença significam 13,5% a menos. Em 20 anos, o prazo mais comum para planos de aposentadoria, 28%.
Mas ainda existe plano de aposentadoria que cobra 4%? Vamos lá.
Um levantamento da Luz Soluções Financeiras feito a pedido do InvestNews constatou que, entre os 5.780 fundos de previdência ativos no país, boa parte cobra taxas baixas. Quase metade deles (44%) tem taxas entre 0,5% e 1%. Outros 44% cobram entre 1,01% e 2%. Cortesia da competição no mercado, que pressionou as taxas para baixo.
Na outra ponta dos espectro, o das taxas mais gordas, são bem poucos hoje. Só 40 fundos cobram acima de 3% ao ano dos cotistas. No topo, a faixa de 3,5% e 4%, apenas quatro. Mas é isso: eles ainda existem.
No topo da lista dos mais onerosos está o Itaú Flexprev V40. Ele existe há 20 anos. Com a taxa de 4%, o rendimento ali entre junho de 2006 e fevereiro de 2026 está em 70% do CDI. Em termos líquidos, depois do imposto de renda, isso dá o rendimento da Caderneta de Poupança.
Lembrando aqui que a caderneta rende tão abaixo do CDI que nem pode ser chamada de investimento. Por essa lógica, vale o mesmo para um fundo que cobra 4% a.a, ou perto disso.
E pode ser pior. Outro fundo que cobra 4%, o Unibanco Prever I RV 30 entregou do ano 2000 até aqui míseros 38% do CDI. Trata-se de um fundo com mais peso em renda variável, então o risco de perda é maior. E a taxa de 4% definitivamente não ajuda.
Idem para outro nesse mesmo estilo, o Caixa Renda Variável 30/49. Ele cobra também salgados 3%. O retorno? Desde a estreia, em 2007, 37% do CDI. Veja aqui a lista completa dos mais custosos:
Um fundo que faça o arroz com feijão, deixando a maior parte em títulos de renda fixa e com taxa de 1% ou menos pode tranquilamente dar perto de 100% do CDI. A diferença entre esses e os de desempenho mais baixo/taxa mais alta fica, então, em mais de 60%. De cada R$ 1 mil acumulados, R$ 600 vão embora.
Vale lembrar. Como cada fundo vai dar um rendimento específico, não significa que uma taxa menor significará automaticamente um rendimento maior. Por exemplo: o fundo Capitânia Credprevidência FIF, que investe majoritariamente em renda fixa e com taxa de 0,73% ao ano, rendeu 106% do CDI desde 2018. Já o Bradesco Premium PGBLVGBL FIF, também focado em renda fixa e que cobra menos ainda, 0,6%, teve um retorno um pouco abaixo, de 103% do CDI no mesmo intervalo.
O que mais importa, no fim das contas, é buscar entre os fundos de taxa menor. De preferência, abaixo de 1%. Não faltam opções. Como vimos aqui, eles já caminham para se tornar maioria no mercado. É uma escolha simples.
O seu eu do futuro vai agradecer.
