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Bloqueio brasileiro à Kalshi e Polymarket frustra planos da bilionária Luana Lopes Lara

Cofundadora aos 26 anos e hoje com fortuna de US$ 2,1 bilhões, brasileira formada pelo MIT vinha articulando entrada da empresa no país

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A decisão do governo brasileiro de bloquear o acesso às principais plataformas de mercados de previsão atinge em cheio uma das bilionárias mais jovens do mundo: a brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, cofundadora da Kalshi, que vinha articulando a entrada da empresa no país.

“O Brasil é muito importante para mim, dado que sou brasileira”, disse Lopes Lara em entrevista ao Valor Econômico no fim do ano passado. “Eu realmente quero que a gente vá para lá.”

O governo, no entanto, anunciou na sexta-feira (24) o bloqueio de 28 plataformas, entre elas a Kalshi e a americana Polymarket, sob a justificativa de que ofertam “apostas ilegais”, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan

A medida foi formalizada em resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que entra em vigor em 4 de maio e proíbe a oferta no país de contratos derivativos atrelados a eventos esportivos, jogos online, resultados eleitorais, culturais ou sociais.

Para o setor, é um golpe num plano de expansão global desenhado nos últimos meses, depois do crescimento explosivo desse mercado nos Estados Unidos. Para Luana, é também um revés pessoal: a entrada no Brasil era apresentada por ela como prioridade estratégica e simbólica.

Do balé ao MIT

Luana treinou balé clássico no Brasil antes de se mudar para os Estados Unidos para estudar matemática e ciência da computação no Massachusetts Institute of Technology (MIT)

Em 2018, junto com o iraniano Tarek Mansour, fundou a Kalshi, primeira plataforma a obter licença federal nos EUA para operar mercados de eventos como instrumentos financeiros regulados.

A aposta da dupla era pavimentar o caminho regulatório que rivais como a Polymarket, sediada em paraísos offshore, evitavam. Com o boom dos prediction markets durante a eleição americana de 2024, a estratégia se mostrou rentável. 

A Kalshi captou rodadas a valuations crescentes ao longo de 2025, e Luana entrou para a lista de bilionárias self-made da Bloomberg, com patrimônio estimado em US$ 2,1 bilhões.

Os mercados de previsão

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Plataformas como Kalshi e Polymarket permitem que usuários comprem e vendam contratos atrelados ao “sim” ou “não” de eventos futuros, das mais variadas naturezas: quem vence uma eleição, qual filme leva o Oscar, qual será o índice de inflação do mês, quando o Federal Reserve (Fed) corta juros. 

Os preços flutuam conforme a probabilidade percebida pelo mercado, e quem acerta o desfecho recebe US$ 1 por contrato.

Os fundadores defendem que se trata de instrumentos financeiros, não jogo, porque permitem hedge contra eventos reais. Reguladores ao redor do mundo, no entanto, têm tratado a categoria com crescente desconfiança. França, Hungria e Portugal já restringiram o acesso à Polymarket nos últimos anos.

Brecha regulatória

A resolução do CMN deixa uma janela aberta. Estão permitidos contratos atrelados a indicadores econômicos e financeiros previamente definidos, como índices de preços, taxas de juros e câmbio. 

É exatamente o terreno em que a Kalshi vinha articulando uma parceria com a XP Investimentos, anunciada em janeiro como início da expansão internacional da empresa.

A parceria permite que usuários brasileiros façam apostas de “sim” ou “não” sobre eventos econômicos, processadas pela interface da XP e pela corretora americana do grupo, e não pelo site da Kalshi, agora bloqueado. A XP não comentou. A própria Kalshi disse, em nota, que analisa a decisão.

A B3, por sua vez, vinha estudando lançar contratos próprios desse tipo. Já confirmou, para esta segunda-feira (27), seis novos derivativos atrelados ao Ibovespa, ao real e ao bitcoin

Avaliava também produtos sobre eleições, hipótese agora vetada pela nova regulação, às vésperas da disputa de outubro entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, que pesquisas recentes mostram empate técnico.

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