Ao mesmo tempo, o braço de participações do BNDESPar reduziu sua exposição a ativos históricos da carteira, como a JBS, no processo de dupla listagem da companhia dos irmãos Batista. Ainda assim, a instituição encerrou o ano com cerca de R$ 2,5 bilhões a mais em renda variável, impulsionada pela valorização de empresas de energia e por um reposicionamento da carteira.
A nova rodada de investimentos não alterou o topo do portfólio, que segue concentrado em nomes como Petrobras (6,98% do capital da empresa), Axia Energia – a antiga Eletrobras – (3,93%), Embraer (5,37%), Copel (21,99%) e JBS (17,14%). A participação no grupo de Rubens Ometto e André Esteves terminou 2025 avaliada em R$ 436,8 milhões.
O que mudou foi a dinâmica: enquanto elétricas e empresas de infraestrutura puxaram a valorização, o banco passou a reduzir exposição em posições consideradas mais maduras e a buscar novas teses.
A entrada na Cosan, nesse contexto, reflete uma aposta em ativos diversificados de energia e logística, mesmo diante da crise vivida pela Raízen. Ao defender o investimento, o diretor financeiro e de mercado de capitais do BNDES, Alexandre Abreu, afirmou que a Cosan não deve ser analisada apenas pelo desempenho da Raízen.
“A empresa não tem apenas Raízen”, disse em entrevista ao Estadão, citando ativos como Compass, Rumo e Moove. Segundo ele, a deterioração recente já está incorporada ao preço da holding, o que abre espaço para retorno no médio prazo.
Outras mudanças
A rotação também passou pela redução de exposição em participações históricas. O BNDES diminuiu sua fatia na JBS ao longo de 2025, em meio ao processo de dupla listagem da companhia, e realizou vendas de ações que somaram bilhões de reais no período.
Abreu afirmou que o banco tem buscado se desfazer de “participações maduras” em operações com ganho financeiro, citando casos como JBS e Copel.
Com lucro recorrente recorde de R$ 15,2 bilhões em 2025, crescimento dos ativos e expansão da carteira de participações, o BNDES ganhou fôlego para girar o portfólio, combinando a realização de ganhos em posições maduras com a entrada em novas teses ligadas à transição energética, inovação e infraestrutura.
O movimento já começa a se refletir em 2026. Em março, a BNDESPar vai liderar uma capitalização de até R$ 3,35 bilhões na Simpar e suas controladas, com potencial de aportar até R$ 1,35 bilhão na operação, além de garantir opção de adquirir participação de até 5% na JSL.
