Bancos como Santander, Bradesco, Itaú e JPMorgan estão entre os signatários das cartas, enquanto a Moelis assinou representando os detentores de títulos da dívida externa e a FTI Consulting assinou representando algumas instituições financeiras, disseram as pessoas, pedindo para não ser identificadas discutindo informações que não são públicas.
Em comunicado, a Shell disse estar trabalhando com a Raízen e a Cosan para encontrar uma solução sustentável para todas as partes interessadas. “Como acionista, reconhecemos os significativos desafios financeiros que a Raízen enfrenta atualmente e a gravidade da situação”, declarou a empresa sediada em Londres.
Santander, JPMorgan e Moelis não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. Cosan, Bradesco, Itaú e FTI não quiseram comentar.
A Raízen precisa de capital, pois sofre com altas taxas de juros, safras abaixo do esperado e uma série de investimentos ambiciosos que ainda não geraram retornos significativos. Sua classificação de risco de crédito foi drasticamente reduzida e o preço dos seus títulos de dívida despencou com a deterioração de sua situação financeira.
Alguns credores estão cada vez mais preocupados com o sacrifício que teriam que fazer sob as propostas em discussão entre o Banco BTG Pactual SA, a Cosan e a Shell, disseram as pessoas.
A Bloomberg noticiou na segunda-feira que a Shell e a Cosan, além do fundador da Cosan, Rubens Ometto, estavam discutindo um plano para injetar até R$ 5 bilhões em capital e para que fundos de private equity geridos pelo BTG adquirissem uma participação no negócio de distribuição da empresa, com uma porcentagem da dívida total da Raízen sendo convertida em ações.
Os credores disseram que a injeção de capital de R$ 5 bilhões por parte dos acionistas é insuficiente, considerando-se a necessidade de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões.
Os credores argumentam que a Raízen não deve ser dividida às pressas no meio dessa reestruturação, com fundos de private equity do BTG injetando cerca de R$ 5,5 bilhões apenas no negócio de distribuição de combustíveis, conforme a proposta em discussão.
Eles defendem que um tipo de reestruturação como essa precisaria ser discutida a fundo, sem urgência, para evitar que os credores acabem com uma participação muito grande apenas na empresa menos lucrativa, disseram as pessoas. A Shell também tem resistido à divisão da Raízen, disse uma das pessoas.
Alguns credores afirmam que a Shell e a Cosan são suficientemente lucrativas e têm caixa suficiente para fornecer até R$ 12 bilhões em injeção de capital, após receberem R$ 18 bilhões em dividendos da Raízen nos últimos dez anos. Dessa forma, esses acionistas serviriam de âncora para uma oferta pública inicial de ações, atraindo outros acionistas a injetarem mais R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões, o que estabilizaria a empresa.
A venda de uma refinaria e centenas de postos de gasolina na Argentina pela Raízen por cerca de US$ 1 bilhão, um negócio que estava prestes a ser assinado, e outros desinvestimentos poderiam completar a capitalização, disseram as fontes.
Os credores não veem necessidade na conversão de dívidas em capital, o que está sendo considerado na proposta dos acionistas, disseram as pessoas.
O BTG Pactual Holding, veículo de investimento dos sócios do banco, investiu R$ 4,5 bilhões na Cosan em um aumento de capital no ano passado. Embora o fundador bilionário Rubens Ometto mantenha o controle nas ações com direito a voto, com uma participação de 50,01% por meio da Aguassanta, os sócios do BTG se tornaram os maiores acionistas, com quase 25% do capital total.
