Desse montante, R$ 1,83 bilhão serão destinados ao caixa da CSN, dona de 69,69% da empresa. Os recursos chegam em um momento sensível para a siderúrgica, que enfrenta pressão crescente sobre seu endividamento.
A CSN encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 41,2 bilhões e alavancagem de 3,47 vezes o resultado operacional (Ebitda), acima da meta de três vezes sinalizada ao mercado. Após registrar prejuízo de R$ 1,5 bilhão no ano passado, a empresa enfrenta em 2026 mais R$ 9,4 bilhões em vencimentos, incluindo R$ 1 bilhão já no fim deste mês referente a dívidas emitidas no exterior (“bonds”).
Os dividendos da mineradora se somam a outros movimentos recentes de transferência de caixa dentro do grupo de Steinbruch. Em dezembro, a CSN Mineração comprou da controladora uma fatia na MRS Logística por R$ 3,35 bilhões, operação entre partes relacionadas que também ajudou a aliviar a posição financeira da CSN.
Para reforçar a liquidez, a siderúrgica estruturou em março um empréstimo sindicalizado de até US$ 1,4 bilhão com bancos como Morgan Stanley, Citi, HSBC, BNP Paribas, Banco do Brasil e Bradesco, a um custo de SOFR (o equivalente ao CDI americano) mais 6% ao ano – o que, nas condições atuais, implica uma taxa próxima de dois dígitos. O crédito tem ações da CSN Cimentos como garantia.
Em paralelo, a companhia conduz a venda do controle da cimenteira, segunda maior do país, em um processo que atraiu mais de uma dezena de interessados, incluindo as chinesas Huaxin, Conch e Sinoma. A expectativa do mercado é que a operação levante entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões.
Dividendos menores
Os proventos da CSN Mineração seguem relevantes, mas já refletem a virada do ciclo do minério de ferro. Em 2024, a subsidiária distribuiu R$ 4,23 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio. Em 2023, foram R$ 3,63 bilhões; em 2022, R$ 3,21 bilhões.
O pico recente ocorreu em 2021, auge do mercado, com R$ 4,84 bilhões. Os R$ 2,63 bilhões referentes a 2025 representam queda de cerca de 38% em relação ao ano anterior e o menor nível de remuneração desde 2020, antes do IPO da companhia.
A mineradora mantém uma política de distribuição entre 80% e 100% do lucro líquido (“payout”), e a retração acompanha diretamente a queda do preço do minério de ferro, que recuou de cerca de US$ 130 por tonelada em 2024 para níveis próximos de US$ 100 ao longo de 2025.
Mesmo com a queda nos preços, a subsidiária listada segue como principal geradora de caixa do grupo. A companhia registrou recorde de vendas em 2025, com mais de 45 milhões de toneladas comercializadas, e continua sendo peça central no plano de desalavancagem da controladora.
Completam a base acionária da CSN Mineração a japonesa Itochu (10,85%), a Japão Brasil Minério de Ferro Participações (9,35%), além de Posco, China Steel, enquanto o free float soma 7,82%.
