Newsletter

Demanda fraca e tarifas fazem gigante da indústria de diamantes reduzir preços pela primeira vez em mais de um ano

A De Beers costuma evitar cortes de preços porque sua influência desproporcional no mercado faz com que esse tipo de movimento afete o sentimento geral

Por
Publicidade

A De Beers, uma das empresas mais tradicionais e influentes do mercado global de diamantes, reduziu seus preços oficiais de diamantes pela primeira vez em mais de um ano, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, encerrando a tentativa de sustentar o mercado diante da queda da demanda.

A indústria de diamantes enfrenta uma das crises mais profundas e prolongadas da história moderna, em meio à retração dos gastos de luxo na China e à crescente popularidade das pedras sintéticas. As tarifas impostas pelos Estados Unidos à Índia, o maior exportador de diamantes do mundo, aumentaram ainda mais a pressão sobre o setor.

A De Beers costuma evitar cortes de preços porque sua influência desproporcional no mercado faz com que esse tipo de movimento afete o sentimento geral. Em vez disso, a empresa vinha vendendo pedras com desconto em negociações sigilosas, enquanto os preços oficiais permaneciam cerca de 25% acima do valor praticado no mercado para algumas categorias.

Na segunda-feira, a companhia buscou realinhar sua posição na primeira venda regular do ano. De acordo com pessoas a par da situação, que pediram anonimato por se tratar de informações privadas, a De Beers promoveu cortes significativos nos preços de diamantes brutos com peso superior a três quartos de quilate.

Um porta-voz da De Beers se recusou a comentar.

Em suas vendas regulares, a De Beers define os preços e informa aos clientes, conhecidos no setor como sightholders, quanto se espera que comprem. Embora os compradores possam recusar, isso pode comprometer o acesso futuro ao fornecimento. A empresa vende os diamantes em caixas, organizadas por diferentes categorias e tamanhos.

A dimensão exata dos cortes anunciados na segunda-feira não ficou clara de imediato. A empresa adotou uma política de faturamento em linha única — em vez de discriminar o preço de cada caixa de diamantes, apresenta um valor total único — o que dificulta a identificação dos descontos. Além disso, houve mudanças na composição de algumas caixas, tornando difíceis as comparações diretas, segundo as fontes.

A última vez que a De Beers reduziu preços foi em dezembro de 2024, e o novo corte ocorre em um momento decisivo para a companhia que ajudou a criar a indústria moderna de diamantes. O mercado começava a dar sinais de estabilização antes de a guerra comercial do presidente dos EUA, Donald Trump, provocar nova turbulência no ano passado.

Em agosto, Trump impôs tarifas de 50% à Índia, onde cerca de 90% dos diamantes do mundo são comercializados, lapidados ou polidos. Os Estados Unidos são, de longe, o maior consumidor global de diamantes.

Para a Anglo American Plc, controladora da De Beers, o momento não poderia ser pior. A mineradora busca sair do negócio como parte de uma ampla reestruturação, após repelir uma oferta de US$ 49 bilhões da BHP Group em 2024.

Exit mobile version