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Diageo, fabricante do Johnnie Walker, avalia venda de ativos na China

A Diageo se juntaria a um grupo de empresas globais que vêm reavaliando seus ativos na segunda maior economia do mundo

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A Diageo está avaliando opções para seus ativos na China, incluindo possíveis desinvestimentos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, à medida que a fabricante de Guinness e Johnnie Walker busca enxugar seu portfólio.

A Diageo trabalha com Goldman Sachs e UBS Group para revisar suas operações no país, que incluem uma participação superior a 63% na Sichuan Swellfun, listada em Xangai, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as informações não são públicas. Os assessores vêm sondando o interesse inicial de compradores estratégicos locais e de fundos de private equity.

A Diageo se juntaria a um grupo de empresas globais que vêm reavaliando seus ativos na segunda maior economia do mundo, em meio à intensificação da concorrência de empresas domésticas, que se tornaram rivais ágeis e sofisticadas, com fortes conexões com os consumidores locais.

As ações da Sichuan Swellfun caíram 14% nos últimos 12 meses, atribuindo à companhia, sediada em Chengdu, um valor de mercado de US$ 2,7 bilhões. Já os papéis da Diageo, que recuaram cerca de 29% no mesmo período, chegaram a subir até 2,4% no início do pregão desta terça-feira em Londres.

As análises ainda são preliminares e nenhuma decisão final foi tomada, disseram as pessoas, acrescentando que não há garantia de que a Diageo vá adiante com qualquer transação.

Representantes da Diageo, do Goldman Sachs e do UBS se recusaram a comentar. Um porta-voz da Sichuan Swellfun afirmou que a empresa não recebeu qualquer informação sobre uma eventual venda de participação.

Outras companhias ocidentais também vêm repensando sua presença na China. Em novembro, a Starbucks concordou em vender uma participação majoritária de seus negócios no país ao fundo de private equity Boyu Capital por um valor empresarial de US$ 4 bilhões, enquanto a Restaurant Brands International fez movimento semelhante com a operação local da rede Burger King. Entre outros potenciais desinvestimentos está a unidade chinesa da GE Healthcare Technologies, segundo pessoas familiarizadas com o tema.

Estratégia da Diageo

A Diageo vem reduzindo seus ativos globais à medida que a queda no consumo de álcool afeta seus esforços para incentivar consumidores a migrar para bebidas mais caras. Em dezembro, a empresa concordou em vender uma participação majoritária na East African Breweries para a japonesa Asahi Group Holdings por US$ 2,3 bilhões. A transação, no entanto, está sendo contestada por um distribuidor da subsidiária queniana.

Dave Lewis, conhecido por ter liderado a recuperação da varejista britânica Tesco, assumiu neste mês como novo CEO da Diageo. Ele substituiu Debra Crew, que deixou o cargo em julho após dois anos desafiadores, marcados pela queda das ações da empresa, um alerta de lucro e tensões comerciais desencadeadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Em novembro, a Diageo reduziu sua projeção anual de vendas e lucro, citando demanda mais fraca nos Estados Unidos e menor consumo na China, onde políticas contra a ostentação foram adotadas para coibir gastos excessivos de autoridades. Ainda assim, uma leve mudança positiva no tom do governo chinês foi vista como encorajadora, disse à época o diretor financeiro Nik Jhangiani.

A Sichuan Swellfun, conhecida pelo baijiu e outras bebidas destiladas chinesas, reportou uma queda de quase 59% na receita do último trimestre, para cerca de US$ 121 milhões, enquanto o lucro líquido recuou mais de 75%, para US$ 32 milhões.

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