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Ecopetrol dá passo final para assumir controle da Brava Energia

Oferta prevê aquisição de 25% das ações da Brava a R$ 23 por papel; se operação for concluída, estatal colombiana assumirá o controle da petroleira brasileira

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A Brava Energia informou na noite de segunda-feira (25) que recebeu uma correspondência da Ecopetrol — sociedade de economia mista vinculada ao Ministério de Minas e Energia da Colômbia — comunicando o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para a compra de ações da companhia.

A OPA é um mecanismo regulado pelo mercado de capitais pelo qual um investidor ou empresa anuncia publicamente sua intenção de adquirir ações de uma companhia listada em bolsa, a um preço previamente definido e geralmente acima do valor de mercado, com o objetivo de obter ou ampliar o controle acionário da empresa-alvo.

Segundo fato relevante divulgado pela petroleira brasileira, a operação obteve registro automático junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e prevê a compra de 116,1 milhões de ações ordinárias, o equivalente a cerca de 25% do capital social da Brava ao preço de R$ 23 por ação, prêmio de 27,8% sobre a cotação média dos últimos 90 dias. O leilão está programado para ocorrer no sistema eletrônico da B3 em 25 de junho de 2026.

Caso a oferta seja bem-sucedida, a Ecopetrol passará a deter 51% do capital da companhia, assumindo o controle da Brava Energia. Para isso, a estatal colombiana precisará desembolsar ao menos R$ 5,45 bilhões — cerca de US$ 1,05 bilhão —, sendo R$ 2,78 bilhões pelo acordo privado já firmado com os acionistas vendedores e outros R$ 2,67 bilhões pela OPA, a depender da adesão dos demais investidores.

A empresa destacou que recebeu também o edital da oferta, com os termos e condições detalhados da operação, disponível nos sites da CVM, da B3 e na área de relações com investidores da Brava.

O conselho de administração informou que está analisando a proposta em conjunto com assessores financeiros e jurídicos. Um parecer fundamentado sobre a OPA deve ser divulgado em até 15 dias, conforme exigências regulatórias do Novo Mercado e da CVM.

Sobre a Brava Energia

A Brava Energia, segunda maior petroleira independente do Brasil, chega a este momento depois de uma trajetória atípica para o setor de óleo e gás. Nascida da fusão entre 3R Petroleum e Enauta, finalizada em agosto de 2024, a companhia emergiu com uma base acionária dominada por gestoras de special situations, bancos, fundos de private equity e herdeiros industriais — perfil mais comum em finanças do que em energia.

O Bradesco tornou-se o maior acionista individual, com 12,2%, após converter dívidas do Grupo Queiroz Galvão em ações da Enauta às vésperas da fusão. Jive, Vinci, BNDESPar, Santander e as famílias Bartelle e Gerdau completavam o quadro. Faltava, no cap table, um sócio com trajetória no setor.

Os vendedores que fecharam o acordo privado com os colombianos são as gestoras Jive e o bloco formado pelas casas Somah, Printemps e Quantum, além da Yellowstone, veículo do empresário José Cantarelli. Com exceção da Yellowstone, são todos nomes financeiros que agora realizam um investimento de pouco menos de vinte meses. Desde o início, a Brava não contava com cláusula de lock-up — o prazo mínimo que impede acionistas de vender ações no pregão —, o que abria caminho para saída a qualquer momento.

Para a Ecopetrol, a compra representa sua maior aposta no Brasil e adiciona, de forma imediata, reservas proporcionais de 459 milhões de barris equivalentes e produção média de 81 mil barris diários. A tese da estatal é de diversificação geográfica em região de alto crescimento, aproveitando o horizonte de longo prazo de uma estatal para extrair valor de um portfólio que gestores financeiros preferiram realizar.

As ações da Brava estrearam na B3 em agosto de 2024 a R$ 26,84, chegaram à máxima de R$ 30 poucos dias depois e recuaram desde então. A R$ 23 por papel, a OPA sai 14% abaixo do preço de estreia, mas 71% acima da mínima histórica.

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Para os analistas do BTG Pactual, a Ecopetrol pretende usar sua experiência em campos maduros para aumentar a recuperação de petróleo nos ativos terrestres da Brava, além de potencialmente reduzir o custo da dívida da companhia aproveitando o perfil de crédito mais robusto da estatal colombiana. O banco também avalia que o complexo integrado de Guamaré deve permanecer como um dos principais ativos estratégicos da empresa sob o novo controlador.

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