A estatal colombiana Ecopetrol anunciou que fechou um acordo para comprar 26% do capital da companhia e o lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) para alcançar 51% do controle, a R$ 23 por ação. O prêmio é de 27,8% sobre a cotação média dos últimos 90 dias.
Para alcançar os 51% do controle, a Ecopetrol terá de desembolsar pelo menos R$ 5,45 bilhões, o equivalente a cerca de US$ 1,05 bilhão. O acordo privado soma R$ 2,78 bilhões pelos 26% iniciais, e a OPA pode demandar pelo menos outros R$ 2,67 bilhões, a depender da adesão dos demais acionistas.
Os vendedores que fecharam o acordo privado (SPA, em inglês) com os colombianos são as gestoras Jive e o bloco das casas Somah/Printemps/Quantum. A Yellowstone, veículo do empresário José Cantarelli, da Ebrasil e mais alguns acionistas de menor porte também fazem parte do contrato.
Com exceção da Yellowstone, são todos nomes financeiros que compuseram a Brava desde a fusão entre 3R Petroleum e Enauta, finalizada em agosto de 2024, e agora realizam um investimento de pouco menos de vinte meses.
A Brava nasceu como uma empresa atípica para o setor de óleo e gás. Petroleira é um negócio de capital intensivo, ciclo longo, aversão à volatilidade de acionista. Da fusão, porém, emergiu uma base dominada por gestoras de special situations, bancos, fundos de private equity e herdeiros industriais.
O Bradesco virou o maior acionista individual, com 12,2%, por acidente de crédito: converteu dívidas do Grupo Queiroz Galvão em ações da Enauta, nas vésperas da operação. Jive, Vinci, BNDESPar, Santander, as famílias Bartelle e Gerdau completavam o quadro. Faltava, no cap table, um sócio com trajetória no setor.
Desde o início da Brava, não havia cláusula de lock-up, o prazo mínimo que impede acionistas de vender ações no pregão. Em fusões dessa escala, a trava costuma ser parte do acordo. A ausência, na Brava, abria caminho para saída a qualquer momento, pelo canal que aparecesse primeiro.
Colombianos avançam
Para a Ecopetrol, a compra da Brava é sua maior aposta no país e adiciona, de forma imediata, reservas proporcionais de 459 milhões de barris equivalentes e produção proporcional a uma média de 81 mil barris diários.
A tese da estatal colombiana, segundo o comunicado ao mercado, é diversificação geográfica em região de alto crescimento e uso do horizonte de longo prazo da estatal para extrair valor de um portfólio que gestores financeiros preferiram realizar.
O que resta em aberto é a adesão à OPA. Os 26% do acordo privado são condicionais: só se consumam se a Ecopetrol alcançar os 51% do votante. Faltam, portanto, cerca de 25 pontos percentuais a serem obtidos em oferta pública. O universo disponível inclui o Bradesco, com seus 12,2%, a gestora value espanhola Cobas, com 5,1%, e o free float pulverizado de 61,9%.
Bradesco e Cobas não estão entre os vendedores nomeados no acordo. A ausência dos dois deixa em aberto se vão aderir à OPA pelo preço proposto ou pressionar por revisão. Se o Bradesco resistir, a Ecopetrol depende de uma adesão massiva do varejo para fechar a conta. Se aderir, a operação caminha sem sobressaltos. A decisão do banco é, agora, o ponto de maior incerteza do negócio.
As ações da Brava estrearam na B3 em agosto de 2024 a R$ 26,84, chegou à máxima de R$ 30 poucos dias depois e desde então só caiu. A R$ 23 por papel, a OPA da Ecopetrol sai 14% abaixo do preço de estreia e 71% acima da mínima histórica.
A transação ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e de autorizações de credores da Brava.