A corrida da inteligência artificial já começa a aparecer com mais força nas decisões de emprego de gigantes globais. Em movimentos anunciados nesta quinta-feira, 23, Nike, Meta e Microsoft detalharam mudanças em suas estruturas de pessoal enquanto aceleram automação, reorganização interna e investimentos bilionários em IA.

Os casos não são idênticos, mas apontam na mesma direção: a tecnologia deixou de ser apenas uma frente de crescimento e passou também a redesenhar estruturas de custo, operações e equipes.

Entre os números já confirmados, Nike e Meta somam 9,4 mil vagas afetadas.

A Nike anunciou o corte de 1.400 postos, menos de 2% de sua força de trabalho total, com impacto concentrado em funções de tecnologia dentro da equipe global de operações. Em mensagem aos funcionários, a empresa disse que está enxugando a estrutura e ampliando o uso de automação para ganhar velocidade, simplicidade e precisão.

A Meta, por sua vez, informou que vai cortar 10% da força de trabalho, o equivalente a cerca de 8 mil pessoas. Os desligamentos começam em 20 de maio, e a empresa também desistiu de contratar para 6 mil vagas abertas.

A justificativa é a busca por mais eficiência enquanto a companhia intensifica sua aposta em inteligência artificial, área em que tenta ganhar terreno diante de OpenAI, Google e Anthropic.

No caso da Microsoft, o movimento foi diferente, mas aponta para a mesma pressão. A empresa criou um programa de desligamento voluntário nos Estados Unidos para cerca de 7% de sua força de trabalho no país — o equivalente a quase 8,75 mil pessoas elegíveis, considerando a base de 125 mil funcionários nos EUA em junho de 2025.

Efeito IA

Não se trata, portanto, de um corte confirmado nessa magnitude, mas de uma iniciativa para reduzir despesas em paralelo à expansão acelerada dos investimentos em infraestrutura de IA.

A mensagem comum é que a inteligência artificial está alterando a equação financeira e operacional das companhias, inclusive fora do setor puro de tecnologia.

Publicidade
homem teclando em um notebook, com uma projeção virtual do chat gpt
Na Microsoft, o investimento em IA tem crescido; a empresa é uma das investidoras do ChatGPT Imagem: Bussarin Rinchumrus / iStock

Na Meta e na Microsoft, isso aparece de forma mais direta: as empresas tentam abrir espaço para bancar a conta cada vez maior de data centers, chips, nuvem e desenvolvimento de modelos.

Na Nike, o discurso é menos centrado em IA generativa, mas a lógica é parecida: mais automação, menos complexidade e estrutura mais enxuta.

Essa pressão já aparece também na escala dos investimentos. No mesmo dia em que anunciou o programa de desligamento voluntário, a Microsoft informou que vai investir US$ 18 bilhões em nuvem e infraestrutura de IA na Austrália. A empresa já havia anunciado um pacote de US$ 10 bilhões ao longo de quatro anos no Japão.

Na Meta, o foco de Mark Zuckerberg segue sendo reforçar a posição da companhia em inteligência artificial, inclusive com novas ferramentas internas e reforço no desenvolvimento de modelos.

Se antes a promessa da IA estava concentrada no potencial de criar produtos e abrir novas receitas, o que Nike, Meta e Microsoft mostram é que ela também já está servindo para justificar enxugamento, automação e reconfiguração do trabalho.