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Itaú fora da Argentina: mesmo com prejuízo, saída libera recursos para banco

Opinião é de analista da Empiricus; impacto para as ações é neutro, uma vez que operação foi revelada em junho.

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Mesmo com prejuízo, a saída do Itaú Unibanco (ITUB4) da Argentina, anunciada nesta quinta-feira (24), abre novas oportunidades para o banco na América Latina, na visão de analistas. O banco anunciou que vai vender sua operação no país para o Banco Macro, por cerca de R$ 250 milhões.

O banco informou que a transação terá um impacto negativo não recorrente de R$ 1,2 bilhão no balanço do banco. Isso sugere que houve prejuízo na venda, destacou por nota a analista de setor financeiro da Empiricus Research, Larissa Quaresma.

Créditos: Adobe Stock

O Itaú Unibanco afirmou que, após a conclusão do negócio, continuará atendendo os clientes corporativos locais e regionais, e pessoas físicas dos segmentos de wealth e private banking, por meio de suas unidades internacionais.

O banco também declarou que vai fazer pedido na Argentina e no Brasil para abrir um escritório de representação em território argentino. Nos demais países da América Latina, o banco manterá as operações do Chile (a maior fora do Brasil), Colômbia, Uruguai e Paraguai.

“Dadas as perspectivas macroeconômicas dos hermanos, essa pode ter sido a melhor saída possível do país, mesmo com o prejuízo na venda. Ademais, a venda libera foco e recursos para outras operações da LatAm, algumas inclusive maiores do que a da Argentina”.

Quaresma, da Empiricus, por comunicado.

Segundo o Banco Central da Argentina, em 31 de dezembro de 2022, o Banco Itaú Argentina era o 16º maior banco do país em total de empréstimos em pesos argentinos, e 11º considerando apenas bancos privados, com uma participação no mercado de 2,1% no país. O banco possui 67 agências e 145 caixas eletrônicos.

Negócio já havia sido precificado

Para analistas da Guide Investimentos, a saída do Itaú da Argentina tem impacto neutro para as ações do maior banco privado do país, uma vez que o negócio já estava no radar do mercado desde junho, além do fato de a transação ser “pouco representativa para o balanço do Itaú”.

“As operações de crédito na Argentina, algo por volta de R$ 10 bilhões, correspondem a menos de 1% do total da carteira de crédito do banco brasileiro, percentual menor até do que a própria carteira do Paraguai. Vale lembrar que aproximadamente 80% da carteira da América Latina está concentrada nas operações do Chile e da Colômbia”, escreveu o analista Mateus Haag em relatório.

Tanto Guide quanto Empiricus mantiveram recomendação de compra para o papel do Itaú. Por volta de 10h10, a ação preferencial do banco (ITUB4) recuava 0,80%, negociada a R$ 27,39.

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