Negócios

Mercado de carbono, ações e fundos ESG vão deslanchar em 2023. Mas por quê?

Colunista aponta que o mercado ESG (acrônimo para investimentos ambientais, sociais e de governança) no Brasil terá incentivos no ambiente público e privado.

Publicado

em

Tempo médio de leitura: 4 min

Como já contei aqui nessa coluna, as finanças sustentáveis são todas baseadas no sistema cap and trade, ou em português, sistema de incentivos e punições. Os governos mundiais vêm adotando o lado do incentivo para criar regulações, Leis que tragam instrumentos de financiamento do combate aos efeitos negativos climáticos, como o crédito de carbono, ou para acabar com o desmatamento de nossas florestas.

No Brasil, também está sendo adotado o lado do incentivo para gerar maior desenvolvimento dos mecanismos de financiamentos ambientais e climáticos. Citando alguns, temos a inclusão de novas empresas no Índice de Sustentabilidade empresarial (ISE) da B3, a publicação pela CVM da regulação de fundos ESG, a Medida Provisória 1.151 que permite a concessão de florestas públicas e, por fim, a criação pelo Banco do Brasil e Banco Mundial de um balcão único de financiamento de créditos de carbono.

Todas essas medidas trarão maior estabilidade, governança e novas formas de financiamento para projetos ligados as questões ambientais incentivando os investidores a aplicarem seus recursos nesses tipos de ativos financeiros.

Vamos começar pelo ISE da B3, ele existe para servir como referência para investidores que querem realizar investimentos em ações de empresas que adotam práticas sustentáveis em suas operações. A partir desse ano a Bolsa brasileira aumentou de 46 para 76 as empresas que compõem o índice. 

Esse aumento nos permite dizer que por um lado mais companhias listadas na B3 estão preparadas para atenderem a todos os critérios elevados de governança corporativa exigidos para poderem compor o ISE, como também, que houve um aumento na procura dos investidores por ações das empresas com práticas ESG.

No mercado de fundos, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) enfim criou a nova regulação que define quais fundos podem carregar rótulos como ESG, sustentável e afins em seu nome. Um dos pontos mais importantes do documento é a classificação dos créditos de carbono como ativos financeiros, permitindo que sejam criados fundos com esse tipo de ativo. Incentivo que impulsionará muito o Mercado de Carbono e que permitirá que os investidores como você possam surfar essa nova onda de investimentos, agora regulados.

O mercado de carbono também está sendo impulsionado pela nova Medida Provisória do Governo Federal, a MP 1.151, que permite que federação, estados e municípios possam realizar concessões de suas florestas para desenvolver e comercializar créditos de carbono e serviços ambientais. Isso trará novas fontes de receitas para os governos, aumentará a capacidade de geração de negócios ligados ao desenvolvimento sustentável e, claro, aumentará a preservação ambiental brasileira.

Também na onda do incentivo ao mercado de carbono, o Banco do Brasil e o Banco Mundial firmaram parceria para criar um balcão único para financiamentos vinculados a ações de sustentabilidade e ao mercado de crédito de carbono. 

A previsão é de conseguir realizar empréstimos vinculados a projetos de sustentabilidade das empresas que ajudem o Brasil a atingir as metas climáticas de reduções de emissão de carbono. A expectativa é compensar em até 90 milhões de toneladas as emissões de gás carbônico até 2030, o equivalente a cerca de 4,5% do que o Brasil precisa para cumprir os compromissos de zerar as emissões naquele ano.

Citei essas novas ações do governo e do mercado financeiro para fazer com que você investidor comece a perceber que existe uma nova forma de você ganhar dinheiro e salvar o mundo. Em 2023 os investimentos sustentáveis enfim vão deslanchar, fique de olho!

Alexandre Furtado é Presidente do Comitê de Informações ESG da Fundação Getúlio Vargas, Sócio e Diretor de ESG da Grant Thornton.

As informações desta coluna são de inteira responsabilidade do autor e não do InvestNews e das instituições com as quais ele possui ligação. 

Mais Vistos