A companhia fechou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 125 milhões, alta de 59% sobre o mesmo período de 2025. A receita líquida foi de R$ 3,78 bilhões, com avanço de 6% em um ano, e a geração de caixa operacional medida pelo Ebitda chegou a R$ 1,57 bilhão, com alta de 17,2% – ambos recordes para a companhia.
Para o segundo trimestre, historicamente o mais fraco do setor de aluguel de carros, a companhia projeta um resultado semelhante: lucro entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões.
“É uma grande surpresa. O segundo trimestre geralmente é o pior em termos de demanda no setor”, diz o CEO da Movida, Gustavo Moscatelli, em entrevista ao InvestNews. “Mas temos segurança de que o resultado vai ser pelo menos no mesmo range do primeiro trimestre”.
Em paralelo, o endividamento foi reorganizado, após a companhia emitir mais de R$ 4 bilhões em novas dívidas no trimestre para refinanciar todos os compromissos que venceriam neste ano.
Precificação dinâmica melhora receitas
A receita com aluguel dos veículos chegou a R$ 2,2 bilhões no trimestre, 17% a mais do que um ano antes. No mesmo período, a frota cresceu apenas 4%, o que indica que a alta na receita não veio do aumento de carros disponíveis.
Ao longo do primeiro trimestre, a Movida conseguiu combinar dois movimentos que costumam andar em direções opostas: subir preço e manter o carro alugado por mais tempo.
Em um ano, a diária média subiu de R$ 158 para R$ 168. E a taxa de ocupação, que mede o tempo em que cada carro está alugado, passou de 71,7% para 77,3%.
A combinação entre tarifa mais alta e ocupação maior é resultado, segundo Moscatelli, de uma reformulação no sistema de precificação. Hoje, o preço de cada carro em cada loja muda de hora em hora. Há três anos, mudava a cada dois dias.
Vendas menores
A Movida vendeu 20,6 mil carros usados no 1º trimestre, 16,8% menos que um ano antes.
A receita do segmento, que envolve a venda dos veículos que saem da frota de aluguel, caiu 6,8%, para R$ 1,57 bilhão.
Segundo Moscatelli, a redução é parte da estratégia de manter o tamanho da frota estável, e não um sinal de demanda mais fraca. “Como a frota está estabilizada, desmobilizamos na medida em que compramos carros novos para implantar. Não há pressão para vender a qualquer custo”, diz o CEO.
Ou seja: a companhia vende seus carros à medida que compra novos para o lugar deles. Mas, como a frota não está mais crescendo, o ritmo de compra caiu – e o de venda, também.
A companhia tem como meta manter a idade média dos carros entre 10 e 11 meses, faixa em que o gasto com manutenção é menor.
Reorganização da dívida
A Movida tinha um problema financeiro para resolver em 2026: uma pilha de dívidas com vencimento no curto prazo. Entre janeiro e março, a locadora emitiu R$ 4,3 bilhões em novas dívidas para alongar prazos e reduzir o custo desses compromissos.
Entre as captações, houve um financiamento de quase US$ 235 milhões liderado pelo International Finance Corporation, braço do Banco Mundial, em uma operação de oito anos. “Eles são bastante detalhistas no processo, então é uma chancela importante de governança e saúde financeira”, afirma o CEO.
Após as captações, a relação entre dívida líquida e geração de caixa operacional caiu de 3,1 para 2,65 vezes em doze meses, o menor patamar dos últimos cinco anos. O prazo médio de pagamento subiu de 3,5 para 3,7 anos, e o juro pago acima da taxa básica caiu de 2,1% para 1,7% ao ano.
Com isso, a Movida concluiu o refinanciamento de toda a dívida que venceria neste ano.
Com o curto prazo resolvido, a companhia ganhou fôlego para pensar mais à frente. “Agora o trabalho da equipe financeira é olhar para os anos seguintes – 2027, 2028”, diz Moscatelli.
A entrada do BNDES
Em março, a Simpar, holding controladora da Movida, anunciou um aumento de capital de R$ 750 milhões na locadora. O BNDESPar, braço de participações do BNDES, entrou como um dos investidores.
A operação está em fase de homologação e deve reduzir a alavancagem da companhia de 2,65 para 2,54 vezes.
Com o investimento, o BNDESPar terá direito a um assento no conselho de administração da Movida, mas sem poder de veto. Segundo Moscatelli, a entrada do banco no quadro de acionistas não altera a estrutura de governança da companhia.
