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Preços dinâmicos e dívida refinanciada: a receita da Movida para salto no resultado

CEO Gustavo Moscatelli diz que novo sistema de precificação ajudou a elevar receitas em 17% no primeiro trimestre com frota que subiu 4%

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A Movida tem direcionado esforços para reduzir o endividamento e ampliar a receita sem ter que expandir a frota e gastar mais. Por enquanto, a estratégia tem funcionado. A locadora de veículos da família Simões, que passou a contar com o BNDES no quadro de acionistas, começou 2026 com seu maior lucro dos últimos quatro anos e a menor alavancagem dos últimos cinco. 

A companhia fechou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 125 milhões, alta de 59% sobre o mesmo período de 2025. A receita líquida foi de R$ 3,78 bilhões, com avanço de 6% em um ano, e a geração de caixa operacional medida pelo Ebitda chegou a R$ 1,57 bilhão, com alta de 17,2% – ambos recordes para a companhia.

Para o segundo trimestre, historicamente o mais fraco do setor de aluguel de carros, a companhia projeta um resultado semelhante: lucro entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões. 

“É uma grande surpresa. O segundo trimestre geralmente é o pior em termos de demanda no setor”, diz o CEO da Movida, Gustavo Moscatelli, em entrevista ao InvestNews. “Mas temos segurança de que o resultado vai ser pelo menos no mesmo range do primeiro trimestre”.

Em paralelo, o endividamento foi reorganizado, após a companhia emitir mais de R$ 4 bilhões em novas dívidas no trimestre para refinanciar todos os compromissos que venceriam neste ano.

Precificação dinâmica melhora receitas

A receita com aluguel dos veículos chegou a R$ 2,2 bilhões no trimestre, 17% a mais do que um ano antes. No mesmo período, a frota cresceu apenas 4%, o que indica que a alta na receita não veio do aumento de carros disponíveis. 

Ao longo do primeiro trimestre, a Movida conseguiu combinar dois movimentos que costumam andar em direções opostas: subir preço e manter o carro alugado por mais tempo.

Em um ano, a diária média subiu de R$ 158 para R$ 168. E a taxa de ocupação, que mede o tempo em que cada carro está alugado, passou de 71,7% para 77,3%.

A combinação entre tarifa mais alta e ocupação maior é resultado, segundo Moscatelli, de uma reformulação no sistema de precificação. Hoje, o preço de cada carro em cada loja muda de hora em hora. Há três anos, mudava a cada dois dias.

Vendas menores

A Movida vendeu 20,6 mil carros usados no 1º trimestre, 16,8% menos que um ano antes.

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A receita do segmento, que envolve a venda dos veículos que saem da frota de aluguel, caiu 6,8%, para R$ 1,57 bilhão.

Segundo Moscatelli, a redução é parte da estratégia de manter o tamanho da frota estável, e não um sinal de demanda mais fraca. “Como a frota está estabilizada, desmobilizamos na medida em que compramos carros novos para implantar. Não há pressão para vender a qualquer custo”, diz o CEO.

Ou seja: a companhia vende seus carros à medida que compra novos para o lugar deles. Mas, como a frota não está mais crescendo, o ritmo de compra caiu – e o de venda, também. 

A companhia tem como meta manter a idade média dos carros entre 10 e 11 meses, faixa em que o gasto com manutenção é menor.

Reorganização da dívida

A Movida tinha um problema financeiro para resolver em 2026: uma pilha de dívidas com vencimento no curto prazo. Entre janeiro e março, a locadora emitiu R$ 4,3 bilhões em novas dívidas para alongar prazos e reduzir o custo desses compromissos.

Entre as captações, houve um financiamento de quase US$ 235 milhões liderado pelo International Finance Corporation, braço do Banco Mundial, em uma operação de oito anos. “Eles são bastante detalhistas no processo, então é uma chancela importante de governança e saúde financeira”, afirma o CEO.

Após as captações, a relação entre dívida líquida e geração de caixa operacional caiu de 3,1 para 2,65 vezes em doze meses, o menor patamar dos últimos cinco anos. O prazo médio de pagamento subiu de 3,5 para 3,7 anos, e o juro pago acima da taxa básica caiu de 2,1% para 1,7% ao ano. 

Com isso, a Movida concluiu o refinanciamento de toda a dívida que venceria neste ano.

Com o curto prazo resolvido, a companhia ganhou fôlego para pensar mais à frente. “Agora o trabalho da equipe financeira é olhar para os anos seguintes – 2027, 2028”, diz Moscatelli.

A entrada do BNDES

Em março, a Simpar, holding controladora da Movida, anunciou um aumento de capital de R$ 750 milhões na locadora. O BNDESPar, braço de participações do BNDES, entrou como um dos investidores. 

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A operação está em fase de homologação e deve reduzir a alavancagem da companhia de 2,65 para 2,54 vezes.

Com o investimento, o BNDESPar terá direito a um assento no conselho de administração da Movida, mas sem poder de veto. Segundo Moscatelli, a entrada do banco no quadro de acionistas não altera a estrutura de governança da companhia. 

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