Com a tese no setor de fitness concluída – um mercado que cresceu exponencialmente no período – a área de private equity da gestora volta sua atenção para o varejo alimentar e para o setor de saúde. “A gente busca setores direcionados por tendências seculares, geralmente ligados a necessidades mais básicas”, disse ao InvestNews Luis Felipe Cruz, sócio responsável pela área de Private Equity do Patria.
De acordo com o executivo, cuidados com a saúde e a alimentação se enquadram nesse perfil. “O envelhecimento da população e a busca por planos de saúde suplementar sustentam o crescimento do setor. No varejo alimentar, especialmente no atacarejo, vemos um formato resiliente e com potencial de expansão”, afirmou.
Novas teses
Em outros fundos da casa, o Patria realizou recentemente três grandes investimentos que devem concentrar a atenção de sua área de private equity nos próximos anos.
No varejo alimentar, a gestora ampliou sua aposta na consolidação regional por meio da Plurix, plataforma que reúne redes de supermercados do Sul e Sudeste e já alcança faturamento bilionário, além do Atakarejo, no Nordeste, no qual adquiriu, em 2023, uma participação majoritária em uma operação estimada em cerca de R$ 700 milhões.
Em saúde, outro foco estratégico da casa, o Patria fechou a compra da Banmédica – ativos da UnitedHealth no Chile e na Colômbia – em uma transação avaliada em aproximadamente US$ 1 bilhão.
A aposta no fitness
O investimento do Patria na Smart Fit se tornou um exemplo de ciclo bem-sucedido de private equity. O block trade realizado nesta segunda marca o fim de uma trajetória iniciada em 2010, quando a empresa tinha apenas 26 unidades, 45 mil alunos e faturava cerca de R$ 70 milhões.
Hoje, presente em 16 países, com mais de 2 mil academias e aproximadamente 5,2 milhões de clientes, a Smart Fit registra receita superior a R$ 6,8 bilhões, um crescimento de 130 vezes, nas conta do Patria. “É uma empresa que atingiu um nível de maturidade que não depende de um ou outro acionista”, reforça Cruz.
A venda desta segunda-feira foi a quarta operação de mercado de capitais envolvendo a saída do Pátria desde o IPO da Smart Fit, em julho de 2021. Após a abertura de capital, o fundo iniciou a redução da participação em maio de 2023, por meio de um follow-on.
Já em 2025, realizou dois block trades – um em maio, que movimentou cerca de R$ 2,2 bilhões, e outro em novembro, de aproximadamente R$ 875 milhões. O bloco final agora negociado por R$ 890 milhões encerra definitivamente a posição da gestora na companhia.
Somente em block trades, a gestora levantou R$ 3,97 bilhões. Sem detalhar os números de retorno aos cotistas, Cruz afirmou que o Fundo 5, que detinha a participação na Smart Fit, devolveu o capital investido “mais um ganho relevante”.
Sobre a destinação dos recursos obtidos com a venda, o sócio do Pátria afirmou que eles podem ser reinvestidos, utilizados para quitar obrigações ou distribuídos aos investidores, mas ainda não está definido. Segundo ele, o Fundo 5 ainda tem espaço para realocações dentro das teses já existentes, mas não pode iniciar um novo investimento ou criar uma nova frente de atuação.
Dois fundos
O investimento do Patria na Smart Fit foi estruturado em dois ciclos. O primeiro, iniciado em 2010 e encerrado em 2019, envolveu o antigo Fundo 3, que chegou a deter cerca de 40% da rede de academias. Ao fim desse período, a participação foi vendida a um consórcio de investidores que incluiu o próprio Fundo 5 da gestora, que passou a concentrar aproximadamente 25% do capital.
O segundo ciclo, de 2019 a 2025, já sob o Fundo 5, foi atravessado pela pandemia, que obrigou o fechamento temporário das academias e atrasou o plano de expansão da companhia. Ainda assim, o IPO realizado em 2021, que movimentou cerca de R$ 2,3 bilhões, abriu a principal via de liquidez para a saída gradual da gestora ao longo dos anos seguintes.
Mudanças na Smart
A saída do Patria ocorre poucas semanas após uma reorganização no comando da companhia. A partir de março, o fundador Edgard Corona deixará o cargo de CEO, que será assumido por seu filho Diogo Corona, e passará à presidência do conselho de administração – cadeira que até então era ocupada por um executivo ligado à gestora.
A mudança foi vista pelo mercado como um passo natural no processo de redução da participação do fundo e sinalizou a transição para uma estrutura acionária mais pulverizada, com a família Corona, hoje dona de 15% das ações, mantendo posição relevante ao lado de investidores institucionais.
