A trading suíça e o braço de investimentos do fundo soberano de Abu Dhabi têm visto interesse de potenciais compradores que vai além das duas frentes brasileiras, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.
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Investidores chineses, fundos soberanos e empresas multinacionais de infraestrutura também estão na disputa, e o processo já avançou além da fase inicial de propostas não vinculantes.
Procurados, Porto Sudeste, Vale, Trafigura, Mubadala e Gerdau não comentaram. A M Resources não respondeu ao pedido de comentário.
Pacote com mina e porto
A operação inclui dois ativos vendidos em conjunto: o terminal portuário em Itaguaí, na Baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro, e a Mineração Morro do Ipê, projeto de minério de ferro em Minas Gerais.
Trafigura e Mubadala contrataram em outubro do ano passado os bancos Goldman Sachs e UBS BB para assessorar o processo, com a expectativa de concluir o negócio em 2026.
O Porto Sudeste é hub logístico estratégico para mineradoras brasileiras que buscam rota de escoamento ao mercado asiático, especialmente o Sudeste Asiático, e está conectado por ferrovia ao quadrilátero ferrífero de Minas Gerais, principal região produtora de minério de ferro do país.
O terminal embarcou volume recorde de 27,8 milhões de toneladas em 2025, contra 21,9 milhões no ano anterior, mas ainda opera bem abaixo da capacidade de cerca de 50 milhões, segundo o último balanço da companhia.
Para a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, o ativo tem peso estratégico, ainda que a empresa já disponha de instalações próprias de exportação no Brasil.
Adquirir o porto fecha a porta para concorrentes que dependem do terminal para escoar produção, e a movimentação ecoa esforços anteriores: em 2013, ainda na fase inicial de venda do controle pela MMX, de Eike Batista, Vale, CSN, Gerdau e Usiminas chegaram a estudar uma oferta conjunta para impedir que o ativo caísse na mão de uma trading internacional.
Acabaram derrotadas pela própria Trafigura e pelo Mubadala, que assumiram o controle em 2014, em meio ao colapso do conglomerado de Eike.
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