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Vale lidera consórcio com Gerdau na disputa pelo Porto Sudeste, em negócio de US$ 5 bilhões

Trafigura e Mubadala avançam na venda do terminal e da mina Morro do Ipê; chineses e fundos soberanos também disputam o ativo

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A trading Trafigura e a gestora Mubadala Capital estão em fase avançada no processo de venda do Porto Sudeste, em uma operação que pode movimentar US$ 5 bilhões. Entre os interessados estão um consórcio liderado pela Vale, em parceria com a siderúrgica Gerdau e a M Resources, empresa de logística australiana.

A trading suíça e o braço de investimentos do fundo soberano de Abu Dhabi têm visto interesse de potenciais compradores que vai além das duas frentes brasileiras, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg

Investidores chineses, fundos soberanos e empresas multinacionais de infraestrutura também estão na disputa, e o processo já avançou além da fase inicial de propostas não vinculantes.

Procurados, Porto Sudeste, Vale, Trafigura, Mubadala e Gerdau não comentaram. A M Resources não respondeu ao pedido de comentário.

Pacote com mina e porto

A operação inclui dois ativos vendidos em conjunto: o terminal portuário em Itaguaí, na Baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro, e a Mineração Morro do Ipê, projeto de minério de ferro em Minas Gerais. 

Trafigura e Mubadala contrataram em outubro do ano passado os bancos Goldman Sachs e UBS BB para assessorar o processo, com a expectativa de concluir o negócio em 2026.

O Porto Sudeste é hub logístico estratégico para mineradoras brasileiras que buscam rota de escoamento ao mercado asiático, especialmente o Sudeste Asiático, e está conectado por ferrovia ao quadrilátero ferrífero de Minas Gerais, principal região produtora de minério de ferro do país. 

O terminal embarcou volume recorde de 27,8 milhões de toneladas em 2025, contra 21,9 milhões no ano anterior, mas ainda opera bem abaixo da capacidade de cerca de 50 milhões, segundo o último balanço da companhia.

Para a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, o ativo tem peso estratégico, ainda que a empresa já disponha de instalações próprias de exportação no Brasil. 

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Adquirir o porto fecha a porta para concorrentes que dependem do terminal para escoar produção, e a movimentação ecoa esforços anteriores: em 2013, ainda na fase inicial de venda do controle pela MMX, de Eike Batista, Vale, CSN, Gerdau e Usiminas chegaram a estudar uma oferta conjunta para impedir que o ativo caísse na mão de uma trading internacional. 

Acabaram derrotadas pela própria Trafigura e pelo Mubadala, que assumiram o controle em 2014, em meio ao colapso do conglomerado de Eike.

©2026 Bloomberg L.P.

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