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E se a Rússia invadir a Ucrânia? Economista lista 5 impactos possíveis

Temor da potencial invasão russa à Ucrânia derrubou especialmente as bolsas norte-americanas.

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Tensões geopolíticas movimentaram os mercados nesta sexta-feira (11), com investidores temendo o que pode ocorrer se a Rússia invadir a Ucrânia. Entre as preocupações econômicas estão o rumo das taxas de juros e da inflação em diversos países – incluindo o Brasil.

As preocupações escalonaram principalmente quando, em nome dos Estados Unidos, o assessor de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, disse que a Rússia agora tem forças suficientes para realizar uma grande operação militar contra a Ucrânia e que um ataque pode começar “a qualquer momento”. 

No dia, o temor da potencial invasão russa à Ucrânia derrubou especialmente as bolsas norte-americanas, enquanto que a bolsa brasileira e seu principal índice, o Ibovespa, se mantiveram em alta graças às ações da Petrobras (PETR3, PETR4), que subiram na esteira da escalada do petróleo, diante das tensões geopolíticas, e por ações do setor financeiro, que subiram após o resultado do Itaú Unibanco (ITUB4).

No entanto, ainda há a expectativa de pacificação. Sullivan falou que o presidente norte-americano, Joe Biden, já realizou uma videoconferência segura com líderes transatlânticos e buscou a união dos aliados diante do agravamento da situação. Há ainda a expectativa de que Biden realize em breve um telefonema a Vladmir Putin, presidente russo, para discutir a crise. 

Caso a invasão ocorra, com os atuais 100.000 soldados já concentrados na fronteira da Ucrânia, Sullivan comentou que a Rússia pode capturar grandes partes da Ucrânia, bem como de grandes cidades, incluindo Kiev.

O que acontece se a Rússia invadir a Ucrânia? 

Segundo André Perfeito, economista-chefe da Necton, na eventualidade do conflito (ou seja, se a Rússia invadir a Ucrânia de fato), pode-se esperar as seguintes movimentações no mercado financeiro: 

  1. Os juros norte-americanos devem cair na esteira da busca de segurança por parte dos investidores, o que pode evitar uma alta generalizada de juros no Brasil;
  2. O preço do petróleo pode subir, o que criaria incentivos para alta de empresas, como Petrobras, que seguraria a bolsa do Brasil;
  3. O problema maior para o Brasil em relação ao conflito seria num segundo momento, devido às as sanções, uma vez que mais de 30% dos fertilizantes importados pelo país vêm da Rússia;
  4. As exportações brasileiras para a Rússia e Ucrânia se manteriam modestas;
  5. O real pode apreciar, por mais contraditório que possa parecer, na esteira de juros “menos altos” nos EUA e de commodities em alta no mundo.

“Todos esses pontos levantados se equilibram no fio da navalha dos acontecimentos, implicitamente trabalho com a hipótese de um conflito de pequena escala, mas tudo isso pode mudar caso se torne um conflito realmente europeu”, comentou em nota o economista.

“No geral, recomendamos cautela, mas de forma alguma sugerimos fuga para a liquidez de maneira irrestrita. Afinal, ainda há muito o que esclarecer sobre este imbróglio. E, no mais, não necessariamente o conflito será ruim para o mercado brasileiro. Obviamente, digo isso do ponto de vista econômico, a última coisa que o mundo precisa numa situação de pandemia é um conflito armado. Acredito que Biden e Putin irão chegar a bom termo”, acrescentou.

  • Confira o fechamento do mercado no último pregão da semana, assista ao Boletim InvestNews:

*Com informações da Reuters.

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