Os melhores dias para as ações costumam acontecer em momentos de maior volatilidade, exatamente quando muitos investidores ficam fora do mercado ou erram a hora de comprar e vender. É por isso que muitos não conseguem reproduzir o retorno do Ibovespa, mesmo com séries históricas positivas.
Um estudo recém-concluído pela gestora Oceana, realizado a pedido do InvestNews, dá dimensão em números da diferença de retorno entre o investidor que se mostra paciente e aquele que tenta acertar o melhor momento de entrar e sair da bolsa com frequência, em diferentes intervalos de tempo.
A diferença fica muito evidente em uma janela que dura três anos, um período minimamente recomendado para o investimento em ações. Quem perdeu os 10 melhores pregões do Ibovespa nesse intervalo porque estava fora da bolsa teve no período um retorno de 59,1% – contra 80,7% de quem manteve os recursos investidos o tempo integral e capturou toda a alta.
Na prática, um investidor com um simples ETF ligado ao índice – BOVA11, por exemplo – que não mexeu no dinheiro teve um retorno muito superior.
Essa “estratégia” de mirar a hora certa de entrar ou sair da bolsa é conhecida como market timing, uma prática que até investidores sofisticados em termos de conhecimento e estudo procuram evitar, mesmo em abordagens mais dinâmicas e de curto prazo.
Aqui é importante esclarecer que a abordagem acima é diferente do “clichê” de dizer que o investidor deve comprar ações quando os preços caem e vender quando sobem.
Por outro lado, a abordagem considerada mais madura de investimento está ligada à disciplina de manter a carteira alinhada ao perfil e aos objetivos do investidor.
Na prática, isso significa fazer ajustes quando necessário para recalibrar o portfólio – vendendo o que subiu e comprando o que caiu –, e não para tentar prever o melhor momento de entrada ou saída.
Quanto maior o prazo da comparação, mais desfavorável fica a situação para quem tentou acertar o timing e não conseguiu aproveitar momentos positivos.
O investidor que tentou acertar o momento de entrar ou sair da bolsa e perdeu os 10 melhores pregões nos últimos cinco anos alcançou um retorno de 29,1% no período. Quem capturou toda a alta do Ibovespa teve um retorno de 60,4%.
A verdade é que uma minoria de investidores tem disciplina para permanecer na bolsa por períodos muito longos – que é o mais adequado, considerando o efeito dos juros compostos e a diluição do risco.
Em um intervalo de 10 anos, a diferença de retorno entre os “pacientes” (aquele que manteve o dinheiro alocado) e os “impacientes” é brutal: 265,8% contra 121%, respectivamente.
Retornos passados nunca são garantia de lucros futuros, mas uma análise fria dos dados da bolsa brasileira mostra que, historicamente, o tempo premia quem sabe esperar.
