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Debêntures e CRAs da Braskem ‘derretem’: descontos já chegam a 60% em negociações

Descontos no mercado secundário refletem temor com reestruturação de crédito. As taxas já alcançam IPCA + 58%.

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A sucessão de perdas com crédito privado nos últimos meses, em empresas como Ambipar, Raízen e GPA, entre outras, tem ampliado as preocupações de investidores com tais ativos.

Essa preocupação se reflete há algum tempo nos papéis emitidos pela Braskem, mas nos últimos dias houve uma piora considerável. Os descontos para revender os títulos de dívida da petroquímica já superam os 60% – em relação ao valor originalmente contratado.

Esses são os preços que têm sido negociados no mercado secundário, em que os detentores vendem os títulos antes do vencimento.

O secundário funciona como uma espécie de termômetro da confiança dos investidores. Quanto mais barato fica o papel, maior o risco de inadimplência na percepção do mercado.

Para conseguir passar para a frente esses ativos, investidores oferecem as debêntures e os certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) da Braskem com grandes descontos.

É o caso por exemplo do CRA com vencimento em 2028 que paga IPCA+, ou seja, a variação da inflação mais uma remuneração fixa. O certificado “amarga” um desconto de 63% para a venda no mercado secundário. Isso significa que, embora o valor de face seja de R$ 1.248, o CRA está sendo vendido por R$ 470, conforme dados da Anbima referentes a 30 de março.

Em termos de taxas, isso significa que o detentor do papel está ofertando o título securitizado com um retorno de IPCA+ 58% ao ano para atrair interessados. Na renda fixa, quando a taxa sobe, o valor do título diminui.

Essa nova taxa é obtida a partir do desconto sobre o preço pago na emissão. Nesse sentido, taxas tão altas indicam que os riscos percebidos pelos investidores sobre a empresa subiram na mesma proporção.

Outro título, uma debênture com vencimento em 2029 e retorno atrelado ao CDI, tem desconto de 58% no secundário, segundo a Anbima. Nesse patamar de deságio, a taxa alcança CDI+ 51%.

Desafios da Braskem

A situação financeira da Braskem se mostra complexa e de resolução difícil. No quarto trimestre de 2025, a Braskem registrou prejuízo líquido de R$ 10,3 bilhões em tries meses e de R$ 9,9 bilhões no ano.

patrimônio líquido está negativo em R$ 16,5 bilhões. A alavancagem corporativa atingiu o equivalente a 14,74 vezes o resultado operacional (Ebitda), um indicador considerado insustentável a longo prazo, o que torna inadiável uma reorganização do passivo.

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Hoje, a dívida líquida da companhia está em R$ 41,2 bilhões – o valor bruto é de R$ 51,8 bilhões.

Os níveis de descontos e as taxas de juros dos títulos da Braskem vistos no mercado secundário só foram alcançados recentemente por outras companhias que acabaram entrando em processos de recuperações judicial ou extrajudicial.

Foram os casos de Ambipar e Raízen, respectivamente.

No caso mais recente, o da Raízen, que entrou em recuperação extrajudicial em 11 de março, debêntures e CRAs da produtora de etanol vinham sendo negociados com descontos de 63%, similares aos da Braskem, uma semana antes do pedido de proteção contra credores.

A Ambipar, que entrou em recuperação judicial em 21 de outubro de 2025, também enfrentou situação semelhante – e até mais aguda. Alguns dias antes da solicitação, os títulos de dívida da empresa de gestão de resíduos chegaram a ser oferecidos com descontos de mais de 80%.

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