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Como viver de renda com Tesouro Direto – e por que não deixar para pensar nisso depois

Crie estratégias para ter renda extra com papeis como RendA+ e Educa+; simulação mostra efeito ao longo dos anos

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Nunca tanta gente investiu no Tesouro Direto quanto neste início de 2026. Só em janeiro, foram R$ 12 bilhões em títulos públicos vendidos, o maior valor em um mês desde que o sistema foi criado, há quase 25 anos.

Pudera. Para quem tem dinheiro disponível, o momento é um dos melhores na renda fixa. Até duas semanas atrás, a taxa Selic estava no maior nível desde 2006. E mesmo com o início dos cortes pelo Banco Central, o mercado preocupado com a invasão do Irã pelos EUA continua a elevar a remuneração dos títulos públicos.

Combinando retorno alto, risco de crédito baixo e facilidade para investir, os títulos públicos são o tema do segundo episódio da série Estratégias para Viver de Renda do InvestNews, com patrocínio exclusivo do Nubank.

Em oito episódios, o editor-executivo Alexandre Versignassi conduz os investidores por uma trilha de conhecimento sobre as principais formas de obter renda passiva. A estreia será nesta quarta-feira (1) no canal do InvestNews no YouTube. Inscreva-se para receber acesso em primeira mão:

Um nome que diz tudo

O Tesouro RendA+ é um dos títulos que mais têm chamado a atenção de quem quer viver de renda. O nome diz tudo. Criado em 2023, o título foi desenhado para quem quer assegurar um “salário futuro” e complementar a renda na aposentadoria. Mas você não precisa pensar nele só nessa situação.

O Tesouro RendA+ se assemelha ao tradicional Tesouro IPCA+. Nos dois casos, quem investe empresta dinheiro ao governo e recebe em troca uma taxa de juros mais a correção pelo IPCA.

O efeito é parecido: o investidor preserva o poder de compra e tem ganho real – efeito dos juros compostos operando no tempo. Mas, como a dinâmica de pagamento dos dois títulos é completamente diferente, a dimensão dos ganhos também muda.

No título clássico, o Tesouro IPCA+, o investidor recebe o dinheiro de volta – aporte inicial, juros e correção pela inflação – de uma só vez, no vencimento. Já no Tesouro RendA+, esse “bolo” é devolvido aos poucos. Mais precisamente, em 240 parcelas mensais em 20 anos.

Em um Tesouro RendA+ 2040, por exemplo, o primeiro vencimento acontece em janeiro de 2040, quando o investidor receberá a primeira parcela. O último é em dezembro de 2059. Por isso, na prática, o RendA+ multiplica o dinheiro com mais força. Porque quanto mais tempo um título leva pra vencer, mais tempo os juros compostos têm para fazer o “trabalho pesado”.

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Tecnicamente, um Tesouro RendA+ é um pacote de 240 Tesouro IPCA+. É como se você não ficasse investido em um só título, e sim em 240, cada um vencendo em um mês do futuro.

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“Ao longo de 20 anos, isso é muito poderoso”, diz Catherine Cruz, CIO da Integrity Wealth Management.

Um exemplo: considere dois aportes de R$ 100 mil no Tesouro Direto, realizados em fevereiro de 2026. O primeiro vai para um Tesouro IPCA+ 2040; o segundo, para um Tesouro RendA+ 2040. As taxas de juros reais oferecidas naquele momento por esses papéis eram de cerca de 7% ao ano.

No vencimento, em 2040, o investidor que aportasse R$ 100 mil no IPCA+ receberia cerca de R$ 270 mil em valores de hoje e brutos. Ou cerca de R$ 242 mil depois do desconto de taxas e Imposto de Renda.

Já o investidor que escolhesse o RendA+ para o aporte de R$ 100 mil começaria 2040 com uma renda bruta de R$ 1,9 mil por mês (ou aproximadamente R$ 1.700 descontando impostos). Em 20 anos, todos esses 240 “salários extras” somariam cerca de R$ 456 mil em valores de hoje e brutos, ou R$ 404 mil líquidos.

Um “primo” mais curto

Um outro título público segue uma lógica parecida com a do RendA+, mas com um prazo mais curto. O Tesouro Educa+ também devolve o valor acumulado em pagamentos mensais, porém em cinco anos. Por isso, é indicado como alternativa para bancar a educação dos filhos.

Vamos dizer que um bebê acabou de nascer e a expectativa é de que entrará na faculdade aos 18 anos, em 2044. Com juros reais na casa dos 7% ao ano, se os pais investirem cerca de R$ 155 mil hoje, poderão assegurar uma renda mensal bruta de aproximadamente R$ 10 mil por mês (em valores atuais) durante cinco anos no futuro. Somados, são cerca de R$ 600 mil, em valores de hoje e brutos – o suficiente para bancar uma boa universidade. Dá para bancar até um curso de Medicina, um dos mais caros hoje.

Começando mais tarde, os pais precisarão aportar um valor maior para ter o mesmo resultado. Se quiserem garantir a faculdade de uma criança que já tem oito anos, por exemplo, o aporte sobe para R$ 253 mil. Confira no gráfico:

Viver de renda sem consumir patrimônio

Um ponto que não pode passar despercebido: a renda mensal de títulos como Tesouro RendA+ e Educa+ não vem apenas dos juros. Ela inclui a devolução do dinheiro inicialmente investido – o chamado “principal”, no jargão financeiro.

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Ao longo do período de pagamentos, o investidor recebe rendimento e amortização ao mesmo tempo. Só que ao fim dos cinco anos do Educa+ ou dos 20 anos do RendA+, o dinheiro se esgota. E depois? Para não consumir o patrimônio, as alternativas são os títulos com pagamento de juros semestrais. Eles distribuem rendimentos ao longo do tempo, mas preservam o principal.

Para um mesmo valor investido, o fluxo de renda é menor, é claro, justamente por não incluir amortização. Mas o capital continua aplicado e rendendo.

O Tesouro IPCA+ com juros semestrais é um desses títulos. Ele também oferece uma taxa fixa mais a correção pela inflação – só que em vez devolver juros e principal juntos, ele separa as coisas e paga só os juros duas vezes por ano.

Em um título desse tipo com vencimento em 2045, um investimento de R$ 100 mil gera pagamentos de 6% ao ano, divididos em dois cupons de 2,95% por semestre.

Ou seja, a cada seis meses, “pingam” cerca de R$ 3 mil brutos na conta do investidor. Enquanto isso, o principal segue aplicado e sendo corrigido pela inflação, preservando o poder de compra do dinheiro.

Neste início de 2026, a remuneração do IPCA+ com juros semestrais está acima de 7% ao ano. Mesmo assim, os juros continuam sendo de 2,95% a cada seis meses. A diferença – de um pouco mais de 1% ao ano – não some; é incorporada ao principal.

Essa mesma estrutura de pagamentos semestrais existe também em títulos do tipo Tesouro Prefixado, que em geral oferecem juros bem maiores (cerca de 14% ao ano), porém sem a correção pela inflação.

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Alguns prós, outros contras

Se tem a vantagem de preservar o principal, os títulos com juros semestrais têm também seus poréns: como parte do rendimento é distribuída ao longo do caminho, o efeito de juros sobre juros é limitado, e o crescimento do patrimônio, bem mais lento.

“Parte do retorno deixa de se capitalizar dentro do título. Por isso, ele é menos eficiente para quem ainda está acumulando patrimônio e mais indicado para quem já está na fase de usufruto da renda”, observa Patrícia Whitaker, diretora de investimentos do Nubank.

Outro ponto é a gestão do fluxo de rendimentos. Diferentemente do RendA+, que entrega um valor fechado direto na conta, aqui o investidor precisa administrar os cupons recebidos, seja para complementar a renda ou reinvestir. E no reinvestimento, corre-se o risco de ter de aplicar a taxas menores no futuro, com impacto sobre o rendimento final.

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Existem ainda custos: como os pagamentos acontecem ao longo do tempo, o Imposto de Renda é descontado em cada um deles, o que reduz a eficiência tributária. Quando o título só devolve o dinheiro no vencimento, o IR é pago de uma só vez, ao final.

Um cardápio para chamar de seu

Para usar os títulos com juros semestrais em uma estratégia de renda passiva, a sugestão é montar um “cardápio” de papéis com pagamentos previstos em meses diferentes. Isso é possível porque cada título deposita os juros em datas fixas.

Um exemplo: com R$ 300 mil distribuídos entre três títulos – dois atrelados à inflação e um prefixado –, é possível ter um fluxo de caixa em janeiro, fevereiro, maio, julho, agosto e novembro. “Dá para ter renda recorrente, mas demanda organização, já que você recebe o rendimento de seis meses em um mês só”, diz Marília Fontes, da Nord Investimentos. Confira um exemplo:

Um ponto de atenção

Um ponto importante, que vale pra todos os títulos, é que todas as simulações consideram que o dinheiro permanecerá investido até o fim. Caso o investidor precise do dinheiro no meio do caminho, pode sair perdendo.

Isso porque os retornos e condições só são assegurados pelo Tesouro Direto caso os valores sejam mantidos até o vencimento.

Acompanhe a série Estratégias para Viver de Renda no YouTube do InvestNews e também aqui no site. Nos terceiro episódio, você vai entender como títulos privados podem ser fontes de renda passiva.

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