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Guia Financeiro

Como funciona o Tesouro Direto?

Conheça essa modalidade de investimentos considerada a mais segura da renda fixa e que consiste em financiar as dívidas do governo.

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Tesouro Direto

Investir na poupança virou a coisa mais "cringe" no mundo dos investimentos. Afinal, o retorno da caderneta sequer supera a taxa básica de juros Selic, que em julho de 2021 estava no patamar de 4,25% ao ano, enquanto a poupança entregava 2,98%.

Quando considerada a inflação, o cenário fica ainda pior. De acordo com as projeções do Boletim Focus, a inflação para os próximos 12 meses é de 4,31%, em consequência o rendimento real da poupança seria negativo em 1,28% ao ano.

Neste cenário, onde guardar agora seu dinheiro? Sem levar prejuízo ou precisar recorrer ao porquinho ou ao colchão.

Para você investidor iniciante, que gosta de aplicações mais conservadoras, sem muitas oscilação e sem o risco de perder seu dinheiro, apresentamos o Tesouro Direto.

Segundo Luciana Ikedo, assessora de investimentos e sócio-fundadora do escritório Ikedo Investimentos o Tesouro Direto é considerado a aplicação mais segura e conservadora que existe. Então para aqueles investidores que têm medo do risco de crédito, de colocar o dinheiro lá e sumir, Luciana garante que este risco é nulo.

"É bastante seguro emprestar seu dinheiro para o governo, o Tesouro é o investimento mais seguro disponível no país", afirma. Confira no nosso Guia, tudo sobre o Tesouro Direto e como investir nele.

O que é o Tesouro Direto?

Luciana Ikedo explica que o Tesouro Direto é uma forma de financiar o Governo Federal, desta forma ele emite títulos e o investidor pessoa física ou jurídica acaba se tornando credor destes.

Ou seja, ao investir no Tesouro Direto você estará emprestando seu dinheiro para o governo em troca de juros. No vencimento destes títulos, você terá direito a receber seu dinheiro de volta além da remuneração acordada.

Segundo Luciana, a plataforma do Tesouro Direto é exclusiva para pessoas físicas, no entanto o investidor pessoa jurídica pode também comprar estes títulos no mercado secundário das grandes corretoras ou bancos.

Como funciona o Tesouro Direto?

Theo Linero, planejador financeiro pessoal que possui a certificação CFP pela Planejar, explica que o Tesouro Direto funciona como um programa de venda de títulos públicos federais para pessoas físicas.

Esta disponível de forma online, no site https://www.tesourodireto.com.br/. Lá, qualquer cidadão pode adquirir títulos a partir do valor de aproximadamente R$ 30.

Tipos de títulos

Segundo os especialistas consultados pela reportagem, existem 3 tipos de títulos no Tesouro Direto: Tesouro Prefixado, Tesouro Selic e Tesouro IPCA.

O Tesouro Prefixado é aquele título em que a remuneração é acordada de forma antecipada, desta forma o investidor sabe exatamente qual será a rentabilidade e quanto receberá no vencimento.

Segundo Linero, dentro do Prefixado existem ainda duas categorias: o Tesouro Prefixado, em que é pago o valor investido e os juros no vencimento e o Prefixado com juros semestrais. Neste, a cada seis meses são pagos os juros contratados até o vencimento do título.

Luciana esclarece que este tipo de título se torna mais interessante quando há uma tendência de baixa na taxa de juros, um cenário oposto ao que vivemos.

O segundo tipo de Tesouro é o Tesouro Selic cuja remuneração acompanha a taxa básica de juros da economia, a Selic. Este é um título pós fixado, ou seja o investidor não sabe de antemão quanto o investimento vai render. Tudo dependerá da evolução da taxa de juros.

O Tesouro Selic possui liquidez diária, pode ser resgatado a qualquer momento sem sofrer muito os impactos da marcação a mercado, e segundo os especialistas é o mais indicado para a formação da reserva de emergência.

Existe ainda o Tesouro IPCA+, cuja rentabilidade está atrelada à variação da inflação do período (IPCA) além de um prêmio de juros prefixado. Segundo Linero, neste formato também é possível encontrar dois tipos de títulos:

  • O Tesouro IPCA+ que realiza o pagamento apenas no vencimento do título.
  • O Tesouro IPCA+ com juros semestrais, que remunera o investidor a cada seis meses com os chamados cupons.

Qual é o rendimento do Tesouro Direto?

Linero explica que o rendimento do Tesouro Direto vai depender do título escolhido pelo investidor. No entanto, estas taxas mudam diariamente, então para saber quanto rende o Tesouro Direto é sempre importante consultar o site deste, na aba de preços e taxas, antes de realizar o investimento.

Até o dia 27 de julho, era possível encontrar, por exemplo, títulos prefixados com vencimento de até 3 anos que pagam 8,82% ao ano e títulos atrelados à inflação com vencimento para 5 anos que pagam inflação + 3,88% ao ano.

Já no caso do Tesouro Selic, o rendimento acompanha a taxa de juros. Atualmente a remuneração seria 4,25% ao ano. Mas suponhamos que o investidor comprou o título neste ano e em 2022 a taxa Selic for para 6%, então a remuneração deve acompanhar esta mudança.

Linero ainda destaca que caso o investidor opte por investir em títulos emitidos por empresas que possuam as mesmas características de remuneração que o Tesouro (prefixados, pós-fixados ou atrelados à inflação), os títulos do Tesouro podem ser considerados como uma referência para comparação. “Esta seria a rentabilidade mínima aceita, uma vez que, nenhum título emitido por empresa teria risco de crédito menor que o do Governo Federal”, afirma.

É seguro emprestar dinheiro para o governo?

Segundo Luciana Ikedo, o Tesouro Direto é aplicação de renda fixa mais segura que existe, porque o risco de crédito, que seria a possibilidade do governo não pagar o combinado, é quase nula.

No entanto, Linero lembra que existe outro tipo de risco pouco comentado: o Tesouro está exposto ao risco de mercado, com possível marcação a mercado. Nela, o preço dos papéis varia conforme a oferta e demanda dos investidores, gerando oscilações que afetam a rentabilidade dos títulos se forem resgatados antes do prazo de vencimento.

Posso perder dinheiro com Tesouro Direto?

O planejador financeiro explica que apesar de se tratar da renda fixa, em que há uma previsibilidade do rendimento ao final do contrato, o Tesouro Direto também sofre marcação a mercado.

Isso significa que as taxas acordadas ao comprar os títulos do Tesouro servem apenas para o vencimento daquele título, mas caso o investidor vender o título antes desta data, ficará sujeito às condições de mercado.

Então, se um investidor comprar um título do Tesouro e meses depois decide vender, dependerá das condições do mercado naquele momento, que podem gerar um prejuízo no seu investimento.

Por isso, o planejador financeiro recomenda, principalmente ao investir em títulos prefixados ou atrelados à inflação, que são os mais impactados com a marcação, evitar retiradas antes do vencimento.

Como escolher o melhor título?

De acordo com os especialistas, a escolha do melhor título dependerá sempre do objetivo do investidor. Não existe uma receita de bolo na hora de escolher investir no Tesouro.

No entanto, para quem está pensando em criar uma reserva de emergência, aquele dinheiro equivalente de 3 a 6 meses do seu gasto mensal, destinado para oportunidades ou imprevistos, os especialistas apontam que a melhor aplicação é o Tesouro Selic, que por se tratar de um pós-fixado tem maior liquidez.

Já o Tesouro Prefixado é mais indicado para os investidores que buscam uma previsibilidade no valor final do investimento, ou para cenários onde a taxa de juros está em uma tendência de baixa.

Enquanto isso, o Tesouro IPCA+, atrelado à inflação, é indicado para os investidores que não querem perder seu poder de compra no futuro. Segundo os especialistas, este título é muito procurado para fazer a reserva de aposentadoria.

Mas para quem está em dúvida, Linero destaca que há um simulador disponível no site do Tesouro Direto, onde é possível identificar qual é o investimento mais adequado para seu objetivo.

Tesouro Direto: taxas

O planejador financeiro explica que existem dois tipos de taxas do Tesouro Direto que podem ser cobradas do investidor. A primeira é a taxa do seu banco/corretora que utilizará para manter seus títulos custodiados ou guardados. A segunda taxa é a da B3, responsável pela negociação dos títulos.

Na sua maioria, bancos e corretoras já zeraram as taxas de custódia para o Tesouro. Mas para conferir se a instituição onde você investe cobra algum valor, pode acessar a seguinte página.

Em relação à taxa cobrada pela B3 para o Tesouro, esta é de 0,25% ao ano, em duas parcelas nos meses de janeiro e julho. Esta taxa é debitada automaticamente do seu banco ou corretora.

Contudo, Linero lembra que desde agosto de 2020, a B3 isentou esta taxa para os investidores com até R$ 10 mil aplicados no Tesouro Selic.

Além das taxas de custódia, o Tesouro Direto sobre tributação do Imposto de Renda já retido na fonte, seguindo tabela regressiva.

  • 22,5% para investimentos aplicados até 180 dias
  • 20% para investimentos aplicados entre 180 e 360 dias
  • 17,5% para investimentos aplicados entre 361 e 720 dias
  • 15% para investimentos acima de 720 dias (2 anos)

Para os resgates feitos em menos de 30 dias há ainda a cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Como fazer para investir com segurança

Para investir no Tesouro com segurança, Luciana Ikedo aconselha ao investidor conhecer cada modalidade de títulos disponíveis, além de entender qual é o seu perfil de investidor e seus objetivos de curto, médio e longo prazo.

Já Linero recomenda consultar as condições de cada título no site do Tesouro e ao fazer a compra verificar se o mesmo está em seu nome. “Essa consulta pode ser feita com login no site do Tesouro Direto, solicitando o extrato dos títulos”, aponta.

Para quem está à procura de uma instituição financeira para investir, é só conferir no próprio site do Tesouro, na área de bancos e corretoras.

Como aplicar no Tesouro Direto? 

Se você tem dúvidas sobre como aplicar no Tesouro Direto, o processo é muito simples. Basta fazer seu cadastro de forma online em algum banco ou corretora, e na sequência comprar os títulos emitidos pelo governo.

Na aba de preços e taxas, você pode conferir o investimento mínimo em cada tipo de título e a remuneração esperada anualmente, além da data de vencimento.

Em geral, é possível comprar um título do Tesouro Prefixado e do Indexado à inflação (IPCA+) a partir de R$ 30. Já no caso do Tesouro Selic, a unidade custa um pouco acima de R$ 100.

Lembrando que para que a compra seja efetivada, é preciso ter o dinheiro disponível no banco ou na corretora, caso o recurso não estiver lá, o investidor terá a negociação suspensa no Tesouro Direto por até 60 dias.

Outro fator que deve ser considerado pelo investidor é o prazo de resgate. Atualmente para resgatar um título do Tesouro, se a solicitação for feita entre 9h30 e 18h, você receberá o dinheiro na conta do banco ou corretora no próximo dia útil.

Mas a partir do dia 13 de setembro, o resgate dos títulos ocorrerá no mesmo dia, desde que a ordem de venda seja solicitada até 13h.

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