O mercado de criptomoedas segue em forte turbulência. Na manhã desta sexta-feira (6), o bitcoin (BTC) é negociado na faixa dos US$ 65 mil, com queda de 6% no dia, levando junto as principais criptomoedas. A solana (SOL), por exemplo, recua cerca de 10%.
Só nas últimas 24 horas, o setor perdeu mais de US$ 130 bilhões em valor de mercado. Desde o início de outubro, quando a indústria atingiu seu pico com o bitcoin batendo nos US$ 126 mil (sua máxima histórica), o total evaporado já soma cerca de US$ 2 trilhões.
Para colocar em perspectiva: é como se o mercado cripto tivesse apagado em cinco meses quase todo o valor de mercado da Amazon, hoje avaliada em cerca de US$ 2,3 trilhões.
Três fatores ajudam a explicar por qual motivo o bitcoin e as criptomoedas continuam em queda.
O primeiro é o pano de fundo macro. As incertezas sobre juros globais, as tensões geopolíticas e a recente onda de vendas no setor de tecnologia seguem pressionando o apetite por risco. Quando o investidor fica mais cauteloso, cripto costuma entrar na lista dos primeiros ativos a serem vendidos.
“O contexto macro ainda é de cautela, com pressão em ações e aversão ao risco entre investidores, o que pode limitar movimentos altistas mais consistentes para o bitcoin no curtíssimo prazo”, disse André Franco, CEO da Boost Research.
Outro ponto é a desalavancagem no setor. Muitos investidores operavam com dinheiro emprestado e, com a queda dos preços, essas posições são liquidadas automaticamente. O processo gera ainda mais vendas e acelera o movimento de baixa – um efeito dominó típico de momentos de estresse.
Por fim, o bitcoin perdeu a faixa dos US$ 70 mil, considerada um suporte psicológico importante. Quando esse nível cedeu, a confiança enfraqueceu e a pressão vendedora aumentou.
O humor do mercado aparece em um termômetro clássico do setor: o Índice de Medo e Ganância. A escala vai de 0 a 100 – quanto mais perto de zero, maior o medo. O indicador está agora em 5, território de pânico e um dos níveis mais baixos já registrados.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.
Bitcoin (BTC): -6,00%, US$ 66.198,09
Ethereum (ETH): -7,21%, US$ 1.920,55
XRP (XRP): -0,33%, US$ 0,99
BNB (BNB): -7,67%, US$ 632,41
Solana (SOL): -10%, US$ 81,00
Outros destaques do mercado cripto
Tesourarias em cripto sentem o tombo. A queda do BTC também respingou nas empresas brasileiras que mantêm criptomoedas em caixa – as chamadas bitcoin treasury companies. A OranjeBTC, que tem 3.722 unidades da moeda, caiu quase 5% ontem e já acumula perda de 36% em um mês (mais que o próprio bitcoin, que recuou 29% no período). A Méliuz, com 605 criptos em caixa, também sentiu: -5,6% no dia e -18,4% em 30 dias.
Renda fixa digital ganha espaço. Não é só de renda variável que vive o mercado cripto brasileiro. A chamada renda fixa digital também está em alta. Em 2025, o setor movimentou R$ 3,34 bilhões, segundo relatório divulgado pela DeFin Research nesta semana. A taxa média de retorno dos títulos tokenizados ficou em 18,9% ao ano – acima do CDI. O lembrete de sempre: apesar do nome, o risco não é o mesmo da renda fixa tradicional. Esses produtos não têm proteção do FGC e exigem atenção redobrada.
Bitcoin ainda pode brilhar, segundo JPMorgan. O bitcoin pode ter se afastado do papel de “ouro digital”, mas isso não significa que a história acabou. Pelo menos é o que diz o JPMorgan. Em relatório recente, o banco disse que, se o sentimento melhorar (algo difícil de imaginar hoje, mas não impossível), a criptomoeda pode voltar a ser vista como alternativa ao ouro em cenários extremos. Em outras palavras: a narrativa de porto seguro está abalada neste momento de caos, mas não necessariamente enterrada para sempre.
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