A ação das Casas Bahia subiu 50% em cinco pregões. Só na sessão de hoje, a alta do papel foi de 26%, cotado a R$ 4,30. Já o Ibovespa terminou o dia em leve alta de 0,26%, aos 141.422 pontos – um novo recorde nominal.
Esse papel está no rol dos mais instáveis na bolsa de valores há meses. E isso levou muita gente e “apostar” na queda do papel. Só que esse comportamento mais negativo não se confirmou. E isso provocou o que se chama, no jargão de mercado, um short squeeze, ou um “aperto nos vendidos”.
Dá pra apostar quanto?
Existe um tipo de operação específica para um investidor “apostar” na queda do preço de uma papel: o aluguel de ações. Funciona assim: o investidor acredita que uma ação vai perder valor ao longo do tempo. Então, ele “aluga” esse papel de outro investidor e, claro, paga uma taxa para isso. Nesse momento, esse investidor tem o direito de negociar o papel, mesmo não sendo o dono. É o que se chama de “vender a descoberto.”
Se a ação de fato cair, ele consegue recomprá-la no mercado por um preço mais baixo para devolvê-la para o locador. Por exemplo: se ele vender a ação por R$ 10,00 e conseguir recomprar por R$ 8,00, ele ganha essa margem de R$ 2,00 – menos a taxa que ele vai pagar para o verdadeiro dono da ação, claro. Mas se ele erra a aposta e o preço da ação começa a se recuperar, a margem fica espremida. O investidor que vendeu “a descoberto” se vê na situação de correr para comprar o ativo antes que ele fique ainda mais caro e devolvê-lo antes que a perda aumente. E aí se forma um ciclo, que vai puxando cada vez mais a valorização. Vem aí o short squeeze.
Também tem os fundamentos
Essa é a explicação do fenômeno de agora. Mas há mais fatores que ajudam a deixar a varejista nos destaques. Não é como se ela estivesse navegando em mares calmos. Ao contrário. A companhia, como todas do setor de varejo, continua sofrendo com os juros no maior nível desde julho de 2006. Mas um pequeno alívio em algumas linhas foram destaque na visão de alguns analistas.
Em 14 de agosto, a Casas Bahia reportou um prejuízo líquido de R$ 555 milhões no segundo trimestre, revertendo lucro de R$ 37 milhões apurado no mesmo período do ano anterior. O desempenho acompanha justamente o ambiente de Selic alta.
Mas a empresa apresentou alguma recuperação da receita, com melhora na linha de despesas gerais e administrativas e na performance operacional, segundo os analistas do BTG Pactual. A varejista ainda está com um sinal amarelo aceso no curto prazo por causa do nível dos juros, mas apresentou uma dívida líquida de R$ 2,4 bilhões no trimestre, estável na base anual de comparação. Já o fluxo de caixa livre subiu a R$ 173 milhões, ante R$ 92 milhões no segundo trimestre de 2024.
O cenário de juros também pode ser uma boa notícia para as empresas que carregam pesados custos financeiros, como é o caso da varejista. É que o Banco Central americano vem dando pitas de que um corte de juros está próximo por lá. E isso pode abrir caminho para que o BC brasileiro siga na mesma direção mais rápido do que se espera. O que seria uma ótima notícia para o setor de varejo.