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Claudia Kodja

As oportunidades para 2024

Colunista aponta para as novas maneiras de ver, pensar e responder aos desafios da atualidade.

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Tempo médio de leitura: 5 minutos

Todo final de ano, especialistas apregoam suas previsões para o ano seguinte, na esperança de que alguma delas o transforme em um novo “guru” do mercado.

“Em termos de previsões, existem dois tipos de especialistas: os que não sabem prever o futuro e os que não sabem, que não sabem.”

John Kenneth Galbraith

Na coluna desta semana, me eximo da responsabilidade sobre previsões, mas me arrisco na divulgação das novas oportunidades, desenvolvidas como resposta a três grandes desafios da atualidade – a nova ordem mundial, o aumento da longevidade e a integridade digital.

Mudança da Ordem Mundial e a Reglobalização

A desaceleração do comércio internacional está acontecendo em termos de valor, volume e em termos da importância das cadeias de produtos,  sugerindo uma inflexão do movimento de globalização. 

Este ponto de inflexão do processo de globalização, se dá pelo agravamento das relações entre as duas maiores economias – China e Estados Unidos – e pelo agravamento das tensões geopolíticas, com a erupção dos conflitos entre Rússia e Ucrânia e o conflito entre Israel e o Hamas.

Nesta disputa, as duas maiores potências econômicas impõem restrições mútuas e buscam se tornar mais autossuficientes. 

A necessidade de reduzir a dependência sobre cadeias de abastecimento expostas a tensões geopolíticas e comerciais está levando a relocalização das estruturas de produção e busca de oportunidades comerciais em mercados próximos, um movimento denominado de “Nearshoring”.

De acordo com um relatório publicado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID -06/2023), o Nearshoring pode gerar US$ 78 bi a mais em exportações na América Latina e a realocando investimentos no valor entre US$ 30 bilhões a US$ 50 bilhões, que antes eram destinados à Ásia.

Aumento da Longevidade

Em 60 anos, entre 1960 e 2020, nós ganhamos 22,5 anos de vida e a população mundial, com mais de 50 anos, é composta por 813 milhões de pessoas.

Embora o aumento da longevidade seja uma conquista, viver mais não significa capacidade de trabalhar por mais tempo, não implica na abertura de vagas de trabalho destinadas a esta faixa etária e os benefícios de uma vida longa não atinge a sociedade da mesma forma.

A partir do 50 e, definitivamente, a partir dos 60 anos, as pessoas são atingidas por uma onda de invisibilidade pela mercado e a crença de que os trabalhadores mais velhos, possuem menos capacidade, agilidade, dão mais valor aos métodos passados e podem ser mais caros. 

Além dos desafios propostos pelo aumento da longevidade, existe uma enorme oportunidade relacionada ao mercado de produtos e serviços destinados a este públicos. 

A atividade econômica das pessoas com mais de 50 anos nos EUA é de US$ 9,5 bilhões por ano, ou cerca de 46% do PIB, de acordo com a AARP.

De acordo com um estudo realizado pela consultoria Data8, esse público é responsável por 23% do consumo no país. 

As grandes empresas de tecnologia perceberam esse mercado crescente, composto principalmente por baby boomers. Amazon (AMZO34), Apple (AAPL34) e Alphabet (GOGL34), controladora do Google, criaram divisões para atender a este mercado geral.

A economia prateada no Brasil movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano e se mantem como um manancial de oportunidades, dada carência de produtos e serviços destinados às necessidades específicas deste público.  

População Mundial com 50 anos ou mais

Segurança Cibernética de Integridade Digital

A sofisticação crescente da internet, a expansão do comércio eletrônico, e o desenvolvimento de criptomoedas criaram oportunidades que não existiam anteriormente e que turvaram significativamente os limites entre as atividades lícitas e ilícitas. 

Algumas estimativas sugerem que a economia ilícita agora responde de 8 a 15% do PIB global.  A virtualização trouxe novos riscos à segurança do mercado e corporativa.

No catálogo dos crimes cibernéticos estão: supply chain attacks, ransomware, phishing e social engineering, fake news e deep fake.

Os ataques ransomware, que bloqueiam o acesso a sistemas ou dados, até que um resgate seja pago, movimentaram US$ 623 milhões, em 2021, e US$ 493 milhões, em 2022. Entre as empresas que sofreram este tipo de ataque estão: Accenture, NBA, Kia Motors, Ferrari, Cisco e o Instituto de Tecnologia de Israel.

A oportunidade reside no aumento da demanda por produtos e serviços destinados a proteção de dados. Os gastos mundiais dos usuários finais com segurança e gerenciamento de riscos cibernéticos devem totalizar US$ 215 bilhões em 2024, um aumento de 14,3% em relação a 2023, de acordo com a nova previsão do Gartner, Inc.

Obviamente, os novos desafios globais não se restringem aos descritos, mas por trás de cada uma delas, existe uma nova demanda social e portanto, um mercado a ser desenvolvido.

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