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ESG: desequilíbrio social também preocupa o futuro da humanidade

Cada vez mais, a criação de valor de uma companhia estará relacionada ao impacto que ela promove na sociedade. Cuidar das questões ESG pode ser a nova forma de perpetuar uma atividade.

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Ana Buchaim*
Ana Buchaim - Diretora de Sustentabilidade da B3

O ano de 2021 se desenha como um tempo em que grandes aprendizados passam a se materializar. Saímos há pouco do que foi o ano mais difícil da nossa história recente. Uma pandemia que afetou a economia do mundo inteiro, poupando pouquíssimos setores, nos mostrou que a crise ganha proporções ainda maiores quando a humanidade está ameaçada. Questões sobre equilíbrio e respeito – por pessoas, princípios e meio-ambiente – ganharam ainda mais relevância. As empresas, os investidores e os consumidores perceberam que este é um caminho sem volta.

Cada vez mais, a criação de valor de uma companhia estará relacionada ao impacto que ela promove na sociedade. Cuidar das questões ambientais, das pessoas e das relações pode ser a nova forma de perpetuar uma atividade e tornar a empresa relevante, responsável e, por consequência, mais longeva.

Empresas mais desenvolvidas na agenda ESG (Ambiental, Social e de Governança, na sigla em inglês) já perceberam também que trazer para seu quadro colaboradores e líderes com diferentes pontos de vista e diferentes histórias de vida, agrega vantagens competitivas. Quando uma companhia abraça a diversidade, os melhores talentos escolhem não apenas trabalhar nessa empresa, mas permanecer, se tornando cada vez mais engajados e comprometidos com o resultado.

Dentro de casa

Por aqui, estamos experimentando essa evolução. Em 2017, quando nasceu a B3, iniciamos um trabalho intenso de transformação da nossa cultura interna. Ações de fácil implantação, como flexibilizar o dress code dos funcionários, permitindo que eles pudessem expressar suas identidades de forma livre, e fortalecer o canal de acesso ao Compliance, incentivando que qualquer ação antiética, imoral ou desrespeitosa presenciada pudesse ser denunciada foram muito bem aceitas pelo público interno e foram razões para acreditar que a busca pela equidade é o caminho certo.

Então, nossos esforços se voltam cada vez mais para ampliar as possibilidades de exercitar a escuta ativa e a empatia, criando espaços seguros para o diálogo, além de ampliar a diversidade no nosso quadro de funcionários e líderes.

Criamos, em 2018, cinco frentes de trabalho: Pessoas com Deficiência, Gênero, LGBTQIA+, Raça e Etnia e Gerações, que contam com cerca de 60 membros e mais de 200 aliados. Eles trabalham diariamente para tornar realidade as prioridades definidas pelos núcleos.

É gratificante atuar a partir de opiniões legítimas de pessoas dispostas a contribuir para a evolução de todo um sistema. O papel das empresas nessa discussão é fundamental para que esse desenvolvimento aconteça de forma célere. Não será mais possível para as organizações se isentarem dessa responsabilidade social.

Em conjunto, os núcleos e a empresa, implementaram iniciativas que fomentam a atração, o recrutamento e o desenvolvimento de jovens negros e negras, de pessoas com deficiência, e de mulheres – em especial para áreas que, até hoje, são tão masculinas como Tecnologia.

Treinamos nossos líderes nessa pauta. Intencionalmente, a pauta de equidade passou a fazer parte da estratégia, tocando todos os níveis da organização. No nosso Conselho de Administração, temos duas mulheres entre os 11 membros, em linha com o compromisso que assumimos ao nos tornarmos signatários do Woman on Board (WOB), iniciativa que visa engajar o board na discussão de temas de diversidade. Ainda há mais a ser feito. Estamos, assim como boa parte das empresas brasileiras, trabalhando para equalizar desequilíbrios sociais seculares. E a única forma de olhar para essa pauta é reconhecendo o que precisa mudar e trabalhando incansavelmente nisso.

Evoluir com o mercado de capitais

Como bolsa, assumimos ainda uma responsabilidade extra, a de ajudar os participantes do mercado de capitais nessa evolução e oferecer um portfólio de produtos que contempla a agenda ESG para o acesso de investidores. Hoje, temos uma família com 7 índices ESG, como o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3) e o Índice Carbono Eficiente (ICO2 B3), os BDRs de ETFs (MSCI) e registro de Títulos Temáticos ESG (verdes, sociais ou sustentáveis). 

Nosso ISE B3, por exemplo, estimula boas práticas e ajuda a trazer um indicador de evolução dessa agenda no Brasil. Estamos construindo um novo índice, que proporcionará aos investidores acompanharem a performance das empresas que integram o ranking GPTW (Great Place to Work), das melhores empresas para trabalhar. Nesse ano, também tocamos a campainha em prol da equidade de gêneros pela quinta vez consecutiva, numa ação coordenada por bolsas em todo o mundo. E vamos trabalhar em um programa para auxiliar as companhias a trilharem essa jornada em busca de um ambiente mais diverso e inclusivo.

As escolhas do investidor

O investidor tem um papel importante e uma ferramenta valiosa em mãos. É dele o poder de decidir se vai investir ou não em uma empresa que coloca os indicadores ESG em suas estratégias. As empresas que se preocupam com tais indicadores são mais eficientes na mitigação de riscos, além de conseguirem se antecipar para possíveis tendências regulatórias, engajar stakeholders e ampliar oportunidades de negócios. Vale, portanto, a reflexão sobre o peso que cada um quer tratar esse assunto ao escolher um produto para comprar ou um ativo para colocar em sua carteira de investimento. Todos estão convidados a conhecer os mitos e verdades no mundo ESG e refletir sobre as causas e as consequências dessas escolhas.

Estamos, como companhia, atentos às possibilidades de aprimorarmos as ações que temos, para dentro e fora de casa, e de criar novas. Incentivamos o mercado a fazer o mesmo porque sabemos que só o resultado agregado de todas essas ações será suficiente para, como sociedade, começarmos a enxergar uma mudança. E mudar, nesse caso, significa nada mais do que entrar em equilíbrio. Quem sabe o equilíbrio que a própria pandemia nos mostrou que é vital.

* Ana Buchaim é diretora de Pessoas, Marketing, Comunicação e Sustentabilidade da B3, a bolsa do Brasil.

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