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Infiltrado na Limer

A transparência precisa ser o elemento central quando se trata de agenda ESG

A falta de unidade nos critérios de avaliação é um entrave para o crescimento das políticas de responsabilidade social, ambiental e governança

As  práticas requeridas pela sigla ESG, com todas as letras que a compõem, assim como o devido monitoramento de resultados qualitativos e quantitativos correspondentes, formam um conjunto que precisa estar centralizado e baseado em medidas de transparência.

Muitos sinais de alerta para a crise em torno da agenda ESG, principalmente fora do Brasil, vêm a partir de questionamentos relacionados com transparência. 

Embora a sigla tenha atravessado os últimos anos em alta, mesmo sem dispor coletivamente de parâmetros comuns para aferição de resultados, chegou o momento em que a falta de unidade de critérios de avaliação afeta o viés de crescimento da Agenda ESG, representando um cenário de inflexão – seja pela não-universalidade das métricas, a realidade mais comum, ou pela ausência de índices públicos para norteá-las.

Além disso, emergem debates sobre a politização de temas da pauta ESG. Esse processo constante de discussão a partir de um prisma político é um fator que já afasta segmentos do mercado e coloca em foco algumas fragilidades.

Vale ressaltar que, no primeiro semestre de 2022, o mercado de investimentos começou a ser impactado por um relatório de engajamento da BlackRock, a maior gestora de fundos do planeta, que anunciou a redução de apoio para propostas apresentadas por empresas em temas da pauta ESG, especialmente em relação ao pilar Ambiental. 

A repercussão prossegue. Até 2022, Larry Fink, CEO da BlackRock, sinalizava para critérios de alinhamento e adesão a tratativas ambientais, sociais e de governança como necessários para seus investimentos. Esse recálculo de rota, que está ainda mais consolidado um ano depois, vem na afirmação do mesmo CEO, já em meados de 2023, sobre abandonar o uso do termo ESG, sob a justificativa de que há “politização do tema”.

Sabemos bem que o problema não é o termo ou seu uso, mas a suspeição que se coloca sobre resultados, métricas utilizadas, a falta de transparência na escolha e aplicação de critérios de mensuração.

A própria Black Rock reforça que deixar de usar o termo não significa o abandono total dos critérios anteriores, pois afirma que a “gestora continuará conversando com as empresas nas quais têm participação sobre descarbonização, governança corporativa e questões sociais a serem abordadas”. 

Nos últimos meses, em termos de desempenho, se apresentam dados negativos. Efetivamente, os investimentos em fundos ESG estão recuando nos Estados Unidos, conforme constata numa reportagem da CNN americana, republicada no site da sucursal brasileira, em 23 de outubro de 2023.

“Nos EUA, os ativos sob gestão em fundos ESG diminuíram de US$ 339 bilhões (cerca de R$ 1,706 trilhão) no segundo trimestre para US$ 315 bilhões (R$ 1,585 trilhão) no final de setembro”, diz a publicação.

Nessa mesma matéria, Robert Jenkins, chefe global de pesquisa da Lipper (uma fornecedora de dados financeiros) também contesta o uso do termo, além de revelar o declínio de fluxos e ativos sob gestão, em relação ao investimento em ESG. Novamente é reforçada a visão de que o conceito não funciona, as medições não são relevantes para análise em relação aos investimentos e o que deve predominar é “pensar no investimento responsável em um sentido mais amplo.”

A inflexão traz os sinais de crise e justificativas de que a “politização” do termo ESG está no contexto identificado como ativismo. Desse modo, aparecem alertas de narrativas estarem se sobrepondo às realidades, tanto no que diz respeito ao bom desempenho e consequente valorização e lucratividade, quanto aos reais valores agregados nos processos, aos concretos impactos sociais, ambientais e de governança obtidos. 

A questão também passa pelas denúncias de “greenwashing” para aumentar classificações ESG em divulgações públicas e, novamente, fica explícito que é preciso implementar e /ou reorientar as ações a partir da transparência. Além dessa dimensão que deveria ser transversal, a transparência também traz credibilidade, revela eficiência e compromisso.

Além da transparência de resultados, cada vez mais cresce o debate sobre índices, métricas, meios de medição e aferição que sejam universalizáveis. Ao final, poder recorrer a ferramentas que já foram testadas, além de avaliar a aplicação para resolver questões semelhantes, pode ajudar a termos resultados que possam ser comparados.

Certamente, a partir de critérios similares deve ser possível (e torna-se imprescindível) compartilhar o que é realizado, o quanto a empresa é bem-sucedida ou não, para que caminhos similares possam ser seguidos. E para que se alcancem metas confiáveis, responsáveis em todas as três letras: E, S e G

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