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Ciclo de caixa: conceito fundamental, mas subestimado

Fator é essencial para analisar a saúde financeira de uma empresa.

Publicado

em

Tiago Reis

Creio que um dos temas mais subestimados entre os investidores do mercado financeiro, principalmente por conta da dificuldade de visualização, é o Ciclo de Caixa. Ele, porém, é um fator essencial para analisar a saúde financeira de uma empresa. No texto de hoje, quero ajudar a aprofundar a compreensão sobre o tema.

Vamos primeiro passar pelo básico dos conceitos. Pense que você possui uma revendedora de máquinas industriais. Você compra o material com um fornecedor e revende para diversos clientes. Como sua compra representa parcela significativa do faturamento do seu fornecedor, ele te oferece um prazo para pagamento de 20 dias. O número de dias entre a realização da compra e o pagamento representa o Prazo Médio de Pagamento (PMP).

Suponha também que este material ficou em média 40 dias estocado e, após esse período, você conseguiu vender o produto para seus clientes. O tempo entre a realização da compra e a venda do produto representa o Prazo Médio de Estocagem (PME).

Assim como seu fornecedor, você ofereceu aos seus clientes a possibilidade de realizar o pagamento com prazo de 20 dias. O tempo entre a realização da venda e o recebimento do pagamento representa o Prazo Médio de Recebimento (PMR).

Estes três conceitos são fundamentais para compreender o Ciclo de Caixa. Na maioria dos casos, as empresas têm que desembolsar caixa para pagar os fornecedores antes de receber o pagamento dos clientes e essa diferença entre o pagamento e recebimento configura o Ciclo de Caixa.

Para calcular o Ciclo de Caixa, você deve somar o Prazo Médio de Estocagem (PME) ao Prazo Médio de Recebimento (PMR) e subtrair o Prazo médio de Pagamento (PMP).

Assim, você terá o tempo entre o pagamento dos fornecedores e o recebimento dos clientes. Este tempo determina o prazo de empréstimo necessário para sustentar sua operação, uma vez que você realizará o pagamento dos fornecedores antes de receber o dinheiro dos clientes. Para isso, é necessário que a empresa tenha capital de giro disponível.

Entretanto, nem sempre isso é verdade. Empresas com grande poder de barganha podem ter Ciclo de Caixa negativo. Isso ocorre quando uma empresa tem um market share muito significativo no setor. Ela geralmente consegue impor prazos de pagamento e recebimento que favorecem sua operação.

Tomemos como exemplo o caso da Apple, uma das maiores empresas do mundo, com produtos e serviços cobiçados por todo o planeta.

Seus fornecedores têm de oferecer a ela prazos enormes para pagamento, uma vez que, caso não o façam, perderão suas vendas. E a Apple é um cliente extremamente relevante, que consegue encontrar outro fornecedor, que aceite seus termos e condições, para oferecer esse produto “commoditizado”.

Para se ter noção, 70% dos 200 milhões de iPhones vendidos por ano são produzidos pela Foxconn. Conseguimos entender o poder de barganha da Apple quando vemos que a mesma possui um valor de mercado de mais de US$ 2 trilhões, com uma margem bruta de incríveis 40%, enquanto sua fornecedora vale “apenas” US$40 bilhões, com uma margem bruta de míseros 5%. Para qualquer empresa, quanto menor o Ciclo de Caixa, melhor. Ter o Ciclo de Caixa negativo é extremamente difícil e requer grande poder de barganha da empresa tanto em relação a seus fornecedores, quanto em relação aos seus clientes.

Empresas que conseguem operar desta maneira se encontram no melhor cenário possível em relação ao Ciclo de Caixa, pois conseguem financiar sua operação com capital não oneroso disponibilizado por seus fornecedores devido ao grande poder de barganha da empresa.

Agora se ponha no lugar do fornecedor da Apple. Você se encontra no cenário diametralmente oposto. Sem poder de barganha, você tem de oferecer prazos enormes para recebimento e nem sempre consegue negociar com seus fornecedores grandes prazos de pagamento.

Assim, seu Ciclo de Caixa se torna muito longo e o capital de giro necessário para sustentar sua operação é grande. Isso faz com que você tenha a necessidade de captar recursos onerosos para sustentar a operação, o que te coloca em um cenário não muito agradável.

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