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Economista-chefe da Serasa Experian: ‘o pior parece que ficou para trás’

Em entrevista ao Conta+, Luiz Rabi falou sobre demanda por crédito e inadimplência na crise da pandemia da Covid-19.

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Com muitos consumidores perdendo sua renda por causa da crise do novo coronavírus, a busca por crédito disparou em abril e segue em alta. No entanto, o movimento, que teve como um dos principais gatilhos a procura por renegociações, agora também começou a ser puxado por uma volta da busca por crédito para consumo, no que seria o início de uma retomada da confiança do consumidor.

É o que explicou o economista-chefe da Serasa Experian, Luiz Rabi, em entrevista ao Conta+. “Nós estamos vendo o consumidor se reequilibrando. O pior momento parece que ficou para trás”, disse ele.

Em julho, a busca do consumidor por crédito cresceu 15,6% na comparação com o mês anterior, a terceira alta seguida, segundo dados da Serasa. “Nós tivemos inicialmente uma procura por crédito que reagiu principalmente nas linhas ligadas a renegociação de dívidas e agora, mais recentemente, nos meses de junho e julho, já começamos a ver também um movimento do consumidor com grau de confiança maior voltando a procurar crédito para as linhas de consumo, como a de veículos”, comentou Rabi.

No entanto, na comparação anual há queda de 3,9% na busca do consumidor por crédito – o que mostra que, mesmo com a recuperação dos últimos meses, o consumidor ainda está menos propenso a buscar crédito que no ano passado. “O impacto da pandemia sobre a economia brasileira e o mercado de crédito foi bastante acentuado”, diz Rabi, apontando que o movimento de agora é uma “curva de recuperação”.

Alívio da inadimplência após recorde

A crise derrubou a renda das pessoas e, com essa queda, os índices de inadimplência registrados pela Serasa bateram recorde histórico em abril, com 65,9 milhões de pessoas na lista de devedores. Desde então, a quantidade de pessoas com contas atrasas segue estável, embora ainda elevado, perto da casa de 65 milhões de pessoas.

E essa estabilidade tem relação com a curva da procura por crédito, segundo Rabi. “As linhas de crédito para renegociação de fato cresceram bastante e proporcionaram já um início de queda”, disse o economista, que espera que, ao longo do segundo semestre, a redução ganhe mais força, “também pelo fato de que a economia comece a dar os primeiros sinais de vida e o emprego, aos poucos, inicie seu movimento de retorno”.

Mas Rabi pondera que o problema da inadimplência não é apenas consequência da crise, e sim uma particularidade do consumidor brasileiro de uma forma geral. “De cada 10 brasileiros adultos, 4 estão inadimplentes. É um número muito grande, e ele não foi construído durante a pandemia, é um número que já vinha na casa dos 60 milhões há um bom tempo”, comenta ele, acrescentando ainda que “temos no Brasil um problema de educação financeira”.

Leia mais: Juro do cheque especial cai para 110% ao ano; inadimplência fica menor

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