A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou nesta quinta-feira (3) a suspensão imediata da oferta da criptomoeda $EIKE no Brasil. O token foi lançado por Eike Batista como parte de um novo projeto empresarial ligado à produção de biocombustíveis e bioplásticos. Segundo a autarquia, a iniciativa está sendo ofertada a investidores brasileiros de forma irregular.
Em comunicado, a CVM afirma que a oferta do ativo digital se enquadra na categoria de valor mobiliário e, portanto, deveria estar registrada na autarquia. A suspensão vem acompanhada de uma multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento da ordem.
A equipe de Eike respondeu à agência Reuters dizendo que a pré-venda do token é voltada a investidores internacionais e não constitui uma oferta pública no Brasil.
O plano por trás da cripto: bioplástico e “supercana”
O token $EIKE foi anunciado por Eike Batista em fevereiro como parte de uma operação para levantar até US$ 100 milhões. O dinheiro, segundo o empresário, seria usado na construção de uma fábrica de bioplástico na Flórida, nos Estados Unidos, e no cultivo de uma variedade geneticamente modificada de cana-de-açúcar chamada de “supercana”, que ele diz ser capaz de produzir três vezes mais etanol e 12 vezes mais biomassa por hectare do que variedades convencionais.
O projeto é promovido por Eike como uma tentativa de reconstrução de sua trajetória empresarial. Preso em 2017 e condenado por corrupção e uso de informação privilegiada, o ex-bilionário ainda tem bens bloqueados pela Justiça brasileira.
Sócios cercados de polêmicas
Reportagem do InvestNews revelou que os principais parceiros de Eike na empreitada — o fundo BrasilInvest, de Mario Garnero, o fundo ADIG, de Zayed Bin Aweidha, e a GF Capital, de Renato Costa — acumulam um histórico de promessas não cumpridas e denúncias de calote.
Zayed já anunciou megainvestimentos em países como Turquia e Tunísia, que nunca se concretizaram. Renato Costa, por sua vez, já falou em investir até US$ 350 milhões para comprar ativos ligados a Eike fazer outros investimentos no Brasil.
Questionamentos sobre a viabilidade da “supercana”
Além das dúvidas sobre os sócios, especialistas do setor sucroenergético colocam em xeque a viabilidade da chamada supercana. O projeto já foi testado por grandes empresas do setor, como a Raízen, e considerado inviável do ponto de vista econômico. A tecnologia foi desenvolvida originalmente pela Vignis, empresa que faliu em 2018
*Com informações da Reuters