Finanças

Ibovespa fecha em queda após colapso do SVB; dólar dispara

Internamente, mercado seguiu aguardando anúncio de regra fiscal.

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O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (13), com investidores do mundo todo em busca de ativos considerados mais seguros em meio à crise que levou ao colapso do banco norte-americano Silicon Valley Bank (SVB). O dólar à vista fechou novamente em alta ante o real, dando continuidade ao movimento de aversão ao risco disparado.

No dia, o Ibovespa fechou com recuo de 0,48%, aos 103.121 pontos. O dólar teve baixa alta de 1,16%. a R$ 5,2683.

Enquanto isso, internamente, o mercado seguiu aguardando o anúncio da nova regra fiscal pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Crise do SVB

O governo dos EUA e o Federal Reserve (Fed) anunciaram várias medidas no fim de semana para reduzir os temores de contágio após o colapso do SVB, que foi fechado repentinamente na sexta-feira (10) após um aumento de capital fracassado.

A turbulência no mercado após o colapso do SVB levou investidores a especular que o Fed não aumentará mais os juros em 0,50 ponto percentual neste mês. Agora, as apostas dos operadores estão divididas igualmente entre uma pausa ou uma alta de 25 pontos-base nos juros na próxima reunião de política monetária do Fed, nos dias 21 e 22.

Isso, em teoria, colocaria menos pressão sobre o dólar a nível global, já que juros mais altos tendem a atrair recursos para os Estados Unidos e impulsionar o valor da moeda norte-americana. No entanto, parte dos mercados acredita que é cedo demais para garantir um posicionamento mais brando do Fed, e estão à espera de dados do índice de preços ao consumidor dos EUA com divulgação prevista para terça-feira (14).

“Nossa avaliação é de que este evento (SVB) não deverá afetar a decisão do Federal Reserve e, caso o índice de preços ao consumidor venha relativamente forte, a probabilidade de (aperto de) 0,5 ponto percentual deverá voltar a ser dominante”, disse a Genial Investimentos em nota a clientes.

Enquanto isso, alguns agentes argumentam que, mesmo que o Fed deixe de subir juros em março, isso não seria, necessariamente, uma notícia boa para moedas de países emergentes.

“Se o Fed se abstiver de aumentar os juros no próximo Fomc, isso poderia significar que as implicações do risco de liquidez da história do SVB são mais severas, dentro de um contexto de inflação ainda muito alta… Este cenário não sugere uma fraqueza estrutural do dólar“, disse o Citi em relatório.

Nova regra fiscal

No Brasil, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou nesta manhã de evento organizado pelos jornais Valor Econômico e O Globo, em meio a expectativas de que apresente o novo desenho de arcabouço fiscal do Brasil ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana.

Haddad afirmou na noite de sexta-feira, em entrevista à CNN Brasil, que o arcabouço fiscal será uma regra nova de acompanhamento das contas públicas que dará um “horizonte sustentável”, mas disse que não será uma regra de dívida.

Segundo profissionais do mercado, a expectativa pela nova regra fiscal pode elevar a volatilidade nos mercados domésticos ao longo desta semana.

Destaques da B3

3R Petroleum (RRRP3), PRIO (PRIO3) e Petobras (PETR4 PETR3) recuaram, em meio ao declínio dos preços do petróleo no exterior.

A ação da Vale (VALE3) subiu, conforme os preços dos contratos futuros do minério de ferro avançaram na China e em Cingapura.

Bolsas pelo mundo

Wall Street

A queda dos papéis bancários pressionou Wall Street nesta segunda-feira com investidores preocupados com o contágio do colapso do Silicon Valley Bank, mas o pregão foi instável e alguns setores se beneficiaram de esperanças de que o Fed pudesse aliviar os aumentos da taxa de juros.

Segundo dados preliminares, o S&P 500 perdeu 0,16%, para 3.855,54 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq ganhou 0,45%, para 11.188,63 pontos. O Dow Jones caiu 0,27%, para 31.822,08 pontos.

Europa

As ações europeias registraram sua maior queda diária em quase três meses nesta segunda-feira, devido às perdas contínuas das ações do setor bancário, mesmo em meio a uma perspectiva resiliente para o setor da região.

O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em queda de 2,42%, a 442,80 pontos, com as ações de empresas do setor financeiro sofrendo as maiores perdas.

As ações de bancos europeus caíram 5,7% e também registraram sua pior queda em dois dias desde o início da guerra na Ucrânia, no início do ano passado.

  • Em LONDRES, o índice Financial Times recuou 2,58%, a 7.548,63 pontos.
  • Em FRANKFURT, o índice DAX caiu 3,04%, a 14.959,47 pontos.
  • Em PARIS, o índice CAC-40 perdeu 2,90%, a 7.011,50 pontos.
  • Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 4,03%, a 26.183,54 pontos.
  • Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou baixa de 3,51%, a 8.958,90 pontos.
  • Em LISBOA, o índice PSI20 desvalorizou-se 2,15%, a 5.896,08 pontos.

Ásia e Pacífico

As ações da China e de Hong Kong tiveram seu melhor dia desde março nesta segunda-feira, acompanhando os ganhos em pares globais depois que autoridades dos EUA agiram para limitar as consequências do colapso do SVB.

O avanço também ocorreu porque investidores aplaudiram mais evidências de recuperação da China e depois que Pequim surpreendeu ao manter o chefe do banco central e o ministro das Finanças em seus cargos na sessão anual do Parlamento no domingo.

  • Em TÓQUIO, o índice Nikkei recuou 1,11%, a 27.832 pontos.
  • Em HONG KONG, o índice HANG SENG subiu 1,95%, a 19.695 pontos.
  • Em XANGAI, o índice SSEC ganhou 1,20%, a 3.268 pontos.
  • O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, avançou 1,05%, a 4.008 pontos.
  • Em SEUL, o índice KOSPI teve valorização de 0,67%, a 2.410 pontos.
  • Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou alta de 0,22%, a 15.560 pontos.
  • Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES desvalorizou-se 1,42%, a 3.132 pontos.
  • Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 recuou 0,50%, a 7.108 pontos.

*Com informações da Reuters.

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