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CDBs do Master: o que fazer com o ressarcimento do FGC para não perder ainda mais

Pagamentos pelo FGC podem começar em breve; entenda como aplicar os recursos de forma segura

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Depois de quase dois meses, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deve liberar os R$ 41 bilhões que estavam investidos em CDBs do Banco Master, liquidado em 18 de novembro. De acordo com informações levantadas pelo Valor e pelo O Globo, os pagamentos devem começar nos próximos dias.

Agora a pergunta que fica é: onde aplicar os recursos e de que forma evitar novas perdas?

O investidor que comprou CDBs do Master teve perdas porque, embora vá receber o que foi aplicado, todo o rendimento do CDB foi “congelado” após novembro, quando a liquidação do banco foi decretada. Não há correção pela inflação e muito menos novos retornos.

Para fugir de destinos como esse, você precisa estar atento a alguns pontos:

O que significa pagar 140% do CDI?

Quanto maior é a remuneração prometida, maior é o risco envolvido. Ponto. É uma relação direta, não tem como ser diferente. E esse risco é o chamado risco de crédito, que é, basicamente, o emissor da dívida não pagar o que deve aos credores. Vale para os CDBs dos bancos, assim como há as debêntures das empresas.

O grande susto de quem investiu no Master foi acreditar que a aplicação era segura quando, na verdade, o nível da remuneração já era o suficiente para fazer pensar duas vezes.

Claro, não é porque um banco oferece um CDB com remuneração maior que ele é necessariamente ruim ou que o destino dele será o mesmo do Master. Riscos fazem parte do jogo. A mensagem é: esse emissor está mais sujeito a dificuldades de honrar suas dívidas do que uma grande instituição ou empresa.

No geral, é bem difícil para o pequeno investidor avaliar a fundo a situação de empresas, fintechs e bancos menores. Mas não significa que não dá para fazer uma lição de casa simples: pesquisar quem é o dono da dívida e, principalmente, as condições do produto oferecido.

Faz sentido buscar outros CDBs que paguem uma remuneração tão alta?

Se qualquer aplicação que prometa pagar muito mais do que o CDI envolve um nível de risco adicional, você precisa ser capaz de responder se isso está de acordo com o seu perfil de investimento.

É perfeitamente aceitável buscar outros CDBs nas plataformas que paguem acima do CDI quando os recursos que estavam no Master voltarem para você.

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O que precisa ficar claro é qual a qualidade do emissor porque, ao comprar um papel dele, você está o financiando. E, principalmente, se esse investimento está adequado ao seu perfil ou ao seu objetivo financeiro, que define o tempo da aplicação.

Se o emissor for um bom pagador – uma empresa bem avaliada nas plataformas ou com bom histórico de pagamento de dívidas, por exemplo –, você recebe o que aplicou e os rendimentos; mas, se acontecer algo no meio do caminho que impeça o acerto de contas, quem assume o prejuízo é você.

Por que outros bancos oferecem um retorno tão menor, como 105% a 110% do CDI?

Quem precisa captar mais dinheiro também precisa oferecer taxas mais atraentes. Isso tem a ver com a necessidade de financiamento da instituição.

Bancos grandes até estão sujeitos a níveis de inadimplência que podem interferir no pagamento dos credores, mas também contam com operações muito mais maduras e com muito dinheiro disponível. Esses bancos não precisam captar recursos na mesma proporção das fintechs e bancos de pequeno e médio porte.

Se você entrar na sua plataforma de investimentos via um grande banco e ver a oferta de um CDB ou outro produto que também seja muito superior ao CDI, é quase certo que esse papel se refere a outra instituição financeira. Daí a necessidade de saber o que é que você está comprando.

Posso investir em um CDB que pague maior retorno e tirar o dinheiro a qualquer hora?

Poder, pode. Só é uma decisão ruim. E por quê? Porque todo investimento no mercado financeiro precisa respeitar o perfil do investidor e o seu objetivo financeiro, como falamos mais acima. Quer dizer: você pode chegar à conclusão de que um investimento é perfeitamente adequado ao seu perfil, mas ainda assim estar em descompasso com a finalidade dele.

Quem deseja acessar rapidamente os recursos deve optar por CDBs que paguem 100% do CDI porque têm praticamente zero chance de perdas na hora de vender os papéis. É por isso que esses produtos são frequentemente comparáveis ao Tesouro Selic, com a mesma finalidade – e risco ainda menor, diga-se de passagem, porque é o risco do governo, o dono da máquina de imprimir dinheiro.

Realizar uma venda a qualquer hora significa que você receberá o dinheiro de acordo com o que está sendo pago pelo mercado naquele momento – é o que chamamos de marcação a mercado, um conceito fundamental na renda fixa.

O caso do Master já é um bom exemplo de como funciona.

Um investidor que tivesse comprado um CDB do Master em janeiro do ano passado e vendido em novembro, antes da liquidação do banco, receberia o valor aplicado mais o rendimento acumulado do período, calculado a 120% do CDI – e não o rendimento até o vencimento final do papel. Para garantir esse rendimento, seria preciso carregar o título até o vencimento.

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Bom, e para quem não vendeu o papel antes da liquidação e ficou com o CDB na mão, já sabemos a novela.

Em outras palavras: se o produto escolhido envolve um risco adicional, é esse risco de perdas que você tem ao decidir sair do investimento a qualquer momento. É por isso que aplicações de maior risco precisam ter como foco o longo prazo. Vale para o mercado de ações, como se sabe, mas vale para o que parece ser um simples CDB.

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