A Marfrig e a Minerva estão em confronto pela posse de plantas de carne bovina no Uruguai que estão no centro de uma revisão antitruste — num momento em que tarifas impostas pelos Estados Unidos tornam esses ativos ainda mais valiosos para as processadoras brasileiras.

A Marfrig, com sede em São Paulo, afirmou nesta sexta-feira (29) que a venda acordada de três frigoríficos para sua rival menor foi automaticamente encerrada, já que a Minerva não conseguiu obter aprovação antitruste no Uruguai dentro do prazo de dois anos. Em comunicado separado, a Minerva contestou, dizendo que o “acordo continua em pleno vigor”.

As autoridades antitruste do Uruguai bloquearam o negócio, alegando preocupações de que a Minerva teria poder excessivo no mercado de gado do país. A empresa recorreu da decisão.

As plantas uruguaias se tornaram mais estratégicas para ambas as companhias agora que enfrentam tarifas pesadas dos EUA sobre suas exportações a partir do Brasil. A conclusão do acordo de 2023 deixaria a Marfrig com menos frigoríficos fora do Brasil na América do Sul, aumentando sua exposição às barreiras comerciais do presidente Donald Trump. Para a Minerva, que também atua em países como Paraguai e Argentina, a aquisição daria mais margem de manobra para contornar as tarifas.

A National Beef, controlada da Marfrig e uma das maiores fornecedoras de carne bovina nos EUA, já importou carne do Uruguai, segundo dados da IHS Markit Customs. A Minerva também envia carne uruguaia para os EUA, mostram os registros.

A comissão antitruste do Uruguai não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre o caso.

As ações da Marfrig subiram até 6,1% nesta sexta-feira. A Minerva avançou até 2%, mas depois apagou os ganhos.