O bitcoin (BTC) opera com leve alta nesta sexta-feira (28) e caminha para encerrar a semana no azul, puxado pela volta das compras das “baleias” – investidores que detêm grandes quantidades de criptoativos – e por um ambiente macro um pouco mais favorável.

A moeda é negociada na casa dos US$ 91 mil nesta manhã, com avanço de 0,50% nas últimas 24 horas. No acumulado da semana, a valorização chega a 10%. Já o mês pode fechar no vermelho – mas só o final do domingo (30) dará o veredito.

Dados da empresa de análise de blockchain Glassnode mostram que as baleias com mais de 10 mil unidades de BTC em carteira – algo perto de R$ 4,9 bilhões – venderam bastante enquanto o preço do BTC testava as máximas, realizando lucro.

Nos últimos dias de queda, porém, o comportamento mudou, e esses grandes investidores voltaram a acumular criptos. O movimento se somou ao retorno das compras por parte das carteiras com mil a 10 mil unidades de BTC, o que ajudou ainda mais o preço.

“Após atingir a mínima de US$ 80.600 na última sexta-feira (21), o bitcoin encontrou demanda compradora, a qual impulsionou o preço da principal criptomoeda do mercado”, disse Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio.

Segundo ela, o fluxo atual indica predominância da força compradora e abre espaço para que o BTC teste as resistências (nível de preço onde o movimento de alta costuma perder força) de curto e médio prazo em US$ 94.500 e US$ 101.600.

No radar macroeconômico, o humor também ajuda. Como comentado no morning call de ontem, cresceu a expectativa de corte de juros nos Estados Unidos em dezembro – hoje, 84,7% dos agentes acreditam na redução -, o que tende a favorecer ativos de risco como o bitcoin.

“Se houver sinalização de uma flexibilização (dos juros) mais agressiva em 2025, o mercado pode ganhar tração e ver diversos ativos retomando níveis técnicos importantes. Caso contrário, o rali atual corre risco de perder força rapidamente”, disse Guilherme Prado, country manager da Bitget.

Algumas das principais altcoins – termo usado para identificar qualquer cripto diferente do bitcoin – acompanham o movimento. O ethereum (ETH), por exemplo, sobe 1,25% nesta manhã de sexta e acumula alta de 12% na semana.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  +0,50%, US$ 91.501,74

Ethereum (ETH): +1,25%, US$ 3.035,39

XRP (XRP): +0,88%, US$ 2,19

BNB (BNB): +0,22%, US$ 889,71

Solana (SOL): -0,40%, US$ 141,10

Outros destaques do mercado cripto

Exchange sofre ataque. Ataques virtuais ainda são uma ameaça real no mercado cripto. Ontem, a exchange sul-coreana Upbit sofreu um hack que resultou na perda de US$ 30,4 milhões (cerca de R$ 163 milhões). Os fundos estavam armazenados na blockchain da solana (SOL). A corretora suspendeu os saques enquanto tenta recuperar o valor perdido – tarefa difícil – e afirmou que irá ressarcir os usuários afetados. Há suspeitas de que o ataque tenha sido orquestrado pelo grupo norte-coreano Lazarus.

O Nobel que não engole o bitcoin. Paul Krugman, Nobel de Economia de 2008 e crítico de longa data do bitcoin, voltou a mirar na criptomoeda. Para o economista, o ativo é empurrado a investidores ingênuos que não entendem os riscos – e só continua subindo graças ao “culto” que se formou em torno dele. Krugman foi além: afirmou que o BTC hoje funciona, na prática, como um grande trade pró-Trump, variando conforme o humor do presidente dos EUA. A análise, claro, divide opiniões no mercado cripto.

Lavação de roupa suja no mercado cripto. Clima de paz? Hoje não. A Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto), uma das principais vozes do setor de moedas digitais no país, está vivendo uma turbulência pública daquelas. A diretoria decidiu processar quatro conselheiros, acusando-os de conspirar para tentar derrubar o presidente da entidade. Briga de família é sempre chata – mas quando envolve o mercado cripto, vira notícia na hora.