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A Ford Motor planeja lançar, em dois anos, uma tecnologia que permitirá aos motoristas tirar os olhos da estrada — um avanço que pode levar a montadora a ingressar no emergente negócio de robotáxis, segundo um alto executivo.

A Ford informou na quarta-feira (7) que lançará a chamada autonomia de Nível 3 em 2028 em seu sistema de assistência ao motorista BlueCruise, que atualmente permite tirar as mãos do volante, mas exige que o condutor mantenha os olhos na estrada.

A nova versão, que permitirá desviar o olhar, estreará primeiro na futura plataforma da picape compacta totalmente elétrica da Ford, com preço estimado em US$ 30 mil, disse Doug Field, diretor-chefe de veículos elétricos, digital e design da montadora, em entrevista.

Segundo Field, a tecnologia permitirá que os motoristas realizem atividades como videoconferências ou aproveitem entretenimento enquanto o veículo segue com segurança, algo que a Ford acredita que os consumidores passarão a exigir.

“De todas as coisas de que as pessoas precisam na vida agora, tempo está bem no topo da lista”, disse Field por telefone, de Las Vegas, onde participa da CES, antiga Consumer Electronics Show. “Elas não querem o estresse de dirigir. Achamos que isso será extremamente atraente.”

Se a aceitação for tão alta quanto a Ford espera, Field não descartou o uso da tecnologia para entrar no negócio de robotáxis, o que ele descreveu como uma extensão natural da bem-sucedida divisão comercial da empresa, conhecida como Ford Pro.

“Não queremos nos antecipar neste momento, mas acreditamos que temos uma plataforma muito atraente para trabalhar com um parceiro nisso”, disse Field sobre a possibilidade de desenvolver um negócio de robotáxis. “Até onde levaremos o Nível 3 vai determinar nossa estratégia de longo prazo.”

Caso a Ford entre na corrida dos robotáxis, isso representaria uma reviravolta em relação à decisão de 2022 de encerrar sua afiliada de condução autônoma Argo AI e cancelar planos de desenvolver carros totalmente autônomos — algo que Field disse à época ser “mais difícil do que colocar um homem na Lua”.

Agora, ele vê “muitas forças que estão provocando um despertar” para o potencial da automação do transporte por aplicativo. A Tesla e a Alphabet, controladora do Google, são atualmente os principais players nesse esforço, que Wall Street enxerga como um negócio potencialmente lucrativo.

Por enquanto, a Ford está focada em como vender a autonomia de Nível 3 aos consumidores. A montadora ainda avalia como precificar a tecnologia e considera opções como cobrança única, cobrança por milha rodada ou assinatura, disse Field.

Como a tecnologia foi desenvolvida internamente, usando componentes de menor custo, a Ford terá uma vantagem competitiva que deve tornar o recurso acessível a mais consumidores, segundo o executivo.

“Você está colocando isso em uma plataforma que pode começar na faixa dos US$ 30 mil, em vez de adicionar um sistema de Nível 3 a um veículo que custe US$ 70 mil a US$ 100 mil, como acontece com a maioria dos nossos concorrentes”, disse Field. “Isso é algo muito significativo.”