O cronograma de entrega de motores para seu popular jato estreito A320 continua sendo um problema, disse Christian Scherer, CEO em saída da Airbus Commercial Aircraft, em coletiva à imprensa na segunda-feira (12). A empresa ainda está em discussões com a Pratt & Whitney, um dos dois fornecedores de motores do A320, sobre volumes futuros, acrescentou Scherer.
A escassez de motores tornou-se um problema crítico para a Airbus no ano passado, forçando a fabricante a produzir os chamados “gliders”, ou aeronaves sem motores, para manter as linhas de produção em movimento. Embora os suprimentos tenham se normalizado até o final do ano, a descoberta de painéis de fuselagem defeituosos na família A320 levou a Airbus a reduzir sua meta de entregas nas últimas semanas de dezembro.
Scherer, veterano da empresa com mais de quatro décadas de experiência na fabricante europeia, passou o comando para Lars Wagner, ex-CEO da MTU Aero Engines AG, em 1º de janeiro.
A Airbus aumentou as entregas em dezembro para 136 unidades, permitindo que as entregas anuais chegassem a 793, ligeiramente acima da meta de 790. A empresa também registrou 889 pedidos líquidos no ano passado, elevando seu backlog para 8.754 aeronaves.
A fabricante assinou contratos para mais de 140 jatos A320 com companhias aéreas chinesas e uma empresa de leasing na última semana de dezembro. A Airbus entregou 607 aeronaves da família A320 no ano passado, o maior número desde 2019.
A Airbus não divulgou quantos aviões espera produzir neste ano, métrica observada de perto por indicar a saúde da cadeia de suprimentos e dos processos fabris. Analistas da Bloomberg Intelligence estimam que a Airbus entregará 900 aeronaves em 2026.
A Boeing deve divulgar na terça-feira seu total anual de pedidos e entregas. O fabricante norte-americano tem produzido aeronaves a uma taxa menor que a Airbus, após um acidente quase catastrófico no início de 2024 revelar falhas de qualidade em suas fábricas.
Ao mesmo tempo, a Boeing provavelmente superou a Airbus em número de pedidos, especialmente após o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, a negócios com companhias aéreas estrangeiras.
“É inegável que a Boeing se beneficiou do apoio político”, disse Scherer. Mas o executivo acrescentou que isso apenas fará a Airbus trabalhar ainda mais para vencer campanhas de vendas, particularmente em aeronaves de fuselagem larga.