Na segunda-feira (12), Trump publicou nas redes sociais que a nova tarifa entraria em vigor “imediatamente”, sem divulgar detalhes sobre o alcance ou a implementação das taxas. A medida tem o potencial de interromper importantes relações comerciais dos Estados Unidos ao redor do mundo. Os parceiros do Irã incluem não apenas países vizinhos, mas também grandes economias como a Índia, a Turquia e a China.
“Qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre qualquer e todo negócio realizado com os Estados Unidos da América. Esta ordem é final e conclusiva”, afirmou.
O presidente dos EUA já impôs tarifas de até 50% sobre produtos indianos vinculados à compra de petróleo russo. Os dois lados têm trabalhado há meses para finalizar um acordo que proporcionaria o tão almejado alívio tarifário para Nova Déli.
Os laços comerciais da nação sul-asiática com o Irã são modestos, representando apenas 0,15% do comércio total da Índia. O Irã já foi o terceiro maior fornecedor petróleo bruto para a Índia, mas Nova Déli interrompeu as compras em 2019, após os EUA restabelecerem sanções contra Teerã.
Embora o alcance das últimas medidas tarifárias de Trump permaneça incerto, os interesses da Índia no porto iraniano de Chabahar podem ser alvo de escrutínio. O porto oferece à Índia uma importante porta de entrada para o Afeganistão e Ásia Central por meio do Corredor Internacional de Transporte Norte-Sul, o que lhe permite contornar o rival Paquistão. Em 2024, a Índia assinou um acordo de longo prazo para operar o porto estratégico e expandir sua presença regional.
Pairando sobre a ameaça, está a iminente decisão da Suprema Corte dos EUA sobre a legalidade das tarifas globais de Trump. Se os juízes decidirem contra ele, isso poderá prejudicar sua capacidade de impor rapidamente os encargos aos parceiros do Irã. O próximo dia de divulgação de decisões do tribunal é quarta-feira.
O Irã tem vivenciado semanas de agitação em massa, inicialmente desencadeada por uma crise cambial e pelo agravamento das condições econômicas, mas que têm se voltado cada vez mais contra o regime. Os protestos representam o maior desafio ao sistema governante da República Islâmica desde 1979.
Enquanto o regime do líder supremo, Ayatollah Ali Khamenei, já tenha enfrentado protestos antes, as manifestações estão se espalhando e, segundo alguns relatos, reuniram centenas de milhares de pessoas em todo o país durante o fim de semana. As autoridades iranianas têm tentado sufocar os protestos, com mais de 500 mortos e mais de 10.000 presos até o momento, de acordo com a agência de notícias Human Rights Activists.
Trump apoiou abertamente os manifestantes e alertou Teerã contra a repressão violenta das manifestações. Em entrevista à Fox News na semana passada, ele afirmou que os EUA atacariam o Irã “com muita força” caso o país continuasse atirando contra os manifestantes.
No domingo, o presidente disse a jornalistas que a liderança iraniana entrou em contato para tentar dialogar e que uma reunião está sendo organizada, sem divulgar detalhes sobre a data.
