Segundo o BC, o decreto de liquidação extrajudicial foi motivado por graves violações às normas que regem as atividades das instituições financeiras no país. A Reag está enquadrada no segmento S4 da regulação, representando menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
O Banco Central informou que seguirá adotando todas as medidas necessárias para apurar responsabilidades, conforme suas competências legais. Dependendo do resultado das investigações, poderão ser aplicadas medidas sancionadoras de caráter administrativo e realizadas comunicações às autoridades competentes, conforme previsto em lei.
Além disso, nos termos da legislação vigente, os bens dos controladores e ex-administradores da instituição ficam indisponíveis, garantindo a proteção do sistema financeiro e a continuidade das apurações.
Reag e Banco Master
A Reag é investigada no âmbito do chamado caso Master, que apura suspeitas de fraudes e operações financeiras irregulares envolvendo o Banco Master. As apurações apontaram indícios de irregularidades em operações realizadas entre fundos administrados pela gestora e a instituição financeira, incluindo transações consideradas atípicas e estruturas de crédito sob questionamento.
No ano passado, a gestora também foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto, que investigou um esquema de lavagem de dinheiro estimado em quase R$ 10 bilhões, ligado ao crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC), e a empresas do setor financeiro. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão, inclusive na sede da gestora.
Segundo documentos da investigação, há a suspeita de que a Reag tenha sido utilizada para a ocultação de recursos ilícitos por meio de veículos de investimento, em razão do grau de discrição proporcionado por esse tipo de estrutura. As apurações seguem em andamento pelas autoridades competentes.
A liquidação da Reag ocorre após a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado, depois de tentativas frustradas de recuperação da instituição. A decisão foi posteriormente objeto de análise pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU), no fim de dezembro.
A liquidação do Master figura entre as maiores já registradas no sistema financeiro brasileiro e pode gerar um custo de até R$ 55 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), caso outros bancos de menor porte também venham a ser liquidados.
O fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, também é investigado nesta nova fase do caso. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o episódio envolvendo o Banco Master pode se configurar como o maior caso de fraude bancária da história do país.