“Estamos em uma encruzilhada”, disse von der Leyen, a principal autoridade executiva da UE, ao discursar diante do Parlamento Europeu em Estrasburgo, nesta quarta-feira. “A Europa prefere o diálogo e soluções, mas estamos totalmente preparados para agir, se necessário, com unidade, urgência e determinação.”
De forma incisiva, von der Leyen também argumentou que não havia retorno à ordem mundial que a Europa passou décadas construindo com a cooperação dos EUA.
“A mudança na ordem internacional não é apenas sísmica, mas ela é permanente”, disse. “Agora vivemos em um mundo definido pelo poder bruto.”
“Embora muitos de nós possamos não gostar disso”, acrescentou, “temos que lidar com o mundo como ele é agora”.
O discurso de Von der Leyen indicou uma guinada para uma abordagem mais incisiva diante das ameaças persistentes de Trump à Europa. Isso ocorre à medida que a chefe da UE enfrenta pressão para reagir com mais firmeza à agressão global de Trump.
Trump deve discursar no Fórum Econômico Mundial em Davos, mais tarde nesta quarta-feira, com as capitais da UE atentas a qualquer sinal sobre se ele pretende atenuar sua promessa de impor novas tarifas à Europa.
No sábado, Trump anunciou uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, subindo para 25% em junho, a menos que lhe seja permitido adquirir a Groenlândia, um território semiautônomo da Dinamarca, aliada da Organização do Tratado do Atlântico Norte e membro da UE. Os líderes do bloco realizarão uma reunião de emergência em Bruxelas na quinta-feira para analisar possíveis medidas retaliatórias.
Von der Leyen afirmou que as tarifas adicionais seriam “simplesmente erradas”, visto que a UE e os EUA compartilham da mesma avaliação estratégica sobre a segurança no Ártico.
“Se estivermos agora mergulhando em uma perigosa espiral descendente entre aliados, isso apenas encorajará os próprios adversários que ambos estamos tão empenhados em manter fora do nosso cenário estratégico”, acrescentou, ecoando um discurso feito na terça-feira ao público de Davos.
O Parlamento Europeu já se prepara para adiar a votação sobre a ratificação de um amplo acordo comercial entre a UE e os EUA devido à crise sobre a Groenlândia.
Von der Leyen reiterou que o bloco também está se preparando para apoiar a Groenlândia com uma “grande onda de investimentos europeus na ilha semiautônoma para apoiar a economia e a infraestrutura local”.
Além disso, ela afirmou que a UE “reforçará os nossos arranjos de segurança” com o Reino Unido, o Canadá, a Noruega e a Islândia, e trabalhará em uma nova estratégia de segurança nos próximos meses.
“Acredito que a própria Europa precisa reavaliar sua estratégia de segurança mais ampla”, afirmou. “O mundo mudou muito rápido, e a Europa agora precisa mudar com ele.”