Dois brasileiros estão no centro do noticiário de negócios nesta sexta-feira (23) após o anúncio de que o Capital One Financial, um dos maiores bancos dos Estados Unidos, comprou a Brex por US$ 5,15 bilhões (cerca de R$ 27,3 bilhões). A fintech, especializada em gestão de despesas corporativas, cartões de crédito empresariais e soluções de tesouraria, foi fundada pelos brasileiros Pedro Franceschi e Henrique Dubugras.

Fundada em 2017, no Vale do Silício, a Brex rapidamente se tornou uma das startups mais bem-sucedidas do setor financeiro nos Estados Unidos. Avaliações elevadas em rodadas de investimento transformaram Franceschi e Dubugras em integrantes de uma seleta lista de jovens bilionários globais. Eles ganharam projeção internacional ao entrar para o ranking da Forbes de bilionários com menos de 30 anos.

Segundo a revista, em 2023, a fortuna de Henrique Dubugras era estimada em US$ 1,5 bilhão. Hoje, Dubugras tem 29 anos, enquanto Pedro Franceschi tem 28 e a fortuna estimada em US$ 3,3 bilhões cada um. Ambos iniciaram a graduação em ciência da computação na Universidade de Stanford, na Califórnia, mas abandonaram o curso para se dedicar integralmente aos negócios.

O espírito empreendedor da dupla começou cedo. Ainda aos 16 anos, eles criaram a Pagar.me, plataforma de pagamentos online que foi vendida cerca de três anos depois para a Stone. Na sequência, mudaram-se para os Estados Unidos, onde fundaram a Brex. Em apenas dois anos de operação, a empresa lançou um negócio de contas bancárias corporativas que atraiu mais de US$ 1 bilhão em capital de risco, com investidores como Tiger Global Management, Peter Thiel e Max Levchin, fundador da Affirm.

No ano passado, a Brex também avançou em sua estratégia de internacionalização. A empresa obteve recentemente uma licença de instituição de pagamentos na União Europeia, concedida na Holanda, o que abre caminho para uma operação em larga escala no bloco. Com a autorização, a fintech passa a ter acesso direto aos sistemas locais de pagamentos e poderá emitir cartões corporativos na região.

“Já investimos bastante nas capacidades globais da plataforma, mas empresas europeias não conseguiam se beneficiar disso porque não podíamos atendê-las diretamente até agora”, afirmou Pedro Franceschi, CEO da Brex, em entrevista à Bloomberg na época. “É um passo importante e aprofunda nossa vantagem global.”

Atualmente, a Brex atende cerca de 30 mil empresas, incluindo nomes como Robinhood Markets e a startup de inteligência artificial Anthropic. Aproximadamente 1.500 clientes têm operações na União Europeia, e cerca de metade da base atua em mais de um país. A empresa planeja estar plenamente operacional na Europa até o início de 2026, com escritórios já estabelecidos em Amsterdã.

Após a venda para o Capital One Financial, Pedro Franceschi, CEO da fintech, continuará à frente do negócio. A Brex atingiu uma avaliação máxima de US$ 12,3 bilhões (R$ 65,2 bilhões) em janeiro de 2022 e chegou a considerar uma oferta pública inicial (IPO) no ano passado.