A Braskem pagou na sexta-feira (23) os juros devidos sobre seus chamados títulos híbridos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Os pagamentos são relativos a bonds em dólar com vencimento em 2081, disseram as fontes, que pediram anonimato por se tratar de um assunto não divulgado ao mercado.

Esses papéis – um tipo de dívida que fica no meio do caminho entre um empréstimo comum e ações, assumindo mais risco em troca de juros maiores – estiveram entre os que mais perderam valor durante a forte onda de vendas que atingiu os títulos da Braskem no ano passado.

Esse impacto aconteceu porque a escritura da dívida, ou seja, o contrato que rege o título e define direitos e obrigações do emissor e dos investidores, permite que a empresa adie o pagamento de juros sem que isso configure um default (calote).

Essa dívida – emitida em Nova York há mais de cinco anos, quando a Braskem ainda tinha rating (classificação de risco) de grau de investimento, um selo de boa pagadora aos credores — ocupa posição inferior à da dívida sênior (títulos que têm prioridade em recebimento de recursos em relação a outros credores) na hierarquia.

Os títulos híbridos funcionam como um tipo atrativo de emissão a que empresas recorreram para reforçar capital e alongar dívidas em momentos de necessidade grande de financiamento, como ocorreu na pandemia.

A Braskem não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário enviados por e-mail.

No início deste mês, a companhia pagou os juros devidos sobre alguns de seus outros bonds em dólar, incluindo papéis com vencimento em 2028, o que tranquilizou investidores em meio aos esforços da empresa para lidar com seu crescente endividamento.

Ainda há pagamentos previstos em janeiro, referentes a bonds em dólar com vencimento em 2030 e 2050, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A empresa tem enfrentado preços deprimidos no setor e as consequências de um desastre ambiental em uma de suas minas de sal. Os títulos despencaram no ano passado depois que a companhia anunciou a contratação de assessores para uma reestruturação financeira.

Agora, a Braskem pretende apresentar um plano de reestruturação extrajudicial aos credores até março, embora esse cronograma dependa de a IG4 Capital – gestora que avançou em um acordo para comprar a participação da Novonor na petroquímica – já estar posicionada para negociar os termos, disseram fontes familiarizadas com o assunto no início desta semana.

O acordo ainda precisa da aprovação de reguladores do Brasil, do México, da Europa e dos Estados Unidos.