A fintech brasileira PicPay, da família Batista, arrecadou US$ 434 milhões (cerca de R$ 2,2 bilhões) em sua oferta pública inicial de ações nos Estados Unidos, segundo apuração da Bloomberg, tornando-se assim o primeiro IPO de uma empresa brasileira desde 2021. O valor final pode chegar a US$ 499 milhões, caso o lote extra seja exercido em até 30 dias. O PicPay não comentou.

Segundo pessoas familiarizadas com a operação, a companhia vendeu 22,86 milhões de ações e conseguiu fixar o preço no topo da faixa indicativa, o que reforça a leitura de boa demanda pelo papel. A empresa havia indicado um intervalo de US$ 16 a US$ 19 por ação. Os papéis serão negociados na Nasdaq.

A operação marca um momento simbólico para o mercado de capitais brasileiro no exterior. Desde o IPO do Nubank, em dezembro de 2021, nenhuma empresa brasileira havia conseguido acessar o mercado em uma abertura de capital — período marcado por juros elevados, aversão a risco e fechamento quase total da janela para emergentes.

Fintech dos Batista

Fundado em 2012 como uma carteira digital, o PicPay passou por uma transformação nos últimos anos e hoje opera como um banco digital completo, com cerca de 67 milhões de clientes. A empresa tem licença bancária e atua principalmente junto a pessoas físicas e pequenas e médias empresas.

Os acionistas controladores do PicPay Wesley Batista, à esquerda, e, assinando o livro, Joesley Batista, na Bolsa de Nova York

A fintech é controlada pela família Batista, dona da JBS, e integra o portfólio mais amplo de investimentos do grupo, que hoje inclui ativos em setores como mineração, energia e serviços financeiros.

Nos nove meses encerrados em setembro, o PicPay registrou lucro líquido de R$ 270,4 milhões, sobre uma receita de R$ 7,26 bilhões, segundo documentos da oferta. No mesmo período do ano anterior, o lucro havia sido de R$ 150,8 milhões, com receita de R$ 3,78 bilhões.

Após o IPO, os Batista devem manter 98% do poder de voto da companhia, de acordo com o prospecto. O fundo de growth capital Bicycle, do investidor Marcelo Claure, foi o investidor-âncora da operação.