É aí que entra uma potencial nova evolução da IA: o Moltbot. Guarde esse nome. Os fóruns técnicos de IA estão fervendo em discussões sobre o potencial do robozinho que realmente faz coisas. A melhor metáfora pop usada para descrever a diferença para os bots atuais é que o Moltbot pode ser o “Jarvis” da vida real, em referência à IA faz-tudo do personagem da Marvel, Tony Stark.
Em outra comparação mais do dia a dia, seria como se a Siri, da Apple, a Alexa, da Amazon, e o Google Assistente subitamente ficassem mais inteligentes, efetivos e pudessem levantar da cadeira para realizar tarefas complexas. E não vale dizer que a Alexa pode acender ou apagar a luz sozinha. Ainda hoje, essas ferramentas basicamente indicam: você pergunta, eles respondem; pede orientação, eles explicam; solicitava ajuda, eles sugerem caminhos.
O trabalho prático — clicar, enviar, organizar, executar — continua sendo humano. O Moltbot rompe esse modelo: deixa de ser apenas alguém que “sabe o que fazer” e passa a ser alguém que faz. É quase como comparar um carro autônomo, que dirige sozinho, com um convencional.
O criador do Moltbot, Peter Steinberger, é um desenvolvedor austríaco conhecido por ter fundado a PSPDFKit, atual Nutrient, uma empresa focada em ferramentas avançadas para manipulação de documentos PDF. Como seu trabalho é voltado a produtos para automação e integração de sistemas complexos, o Moltbot foi criado para resolver problemas reais de trabalho.
Originalmente, o projeto se chamava Clawdbot, uma referência informal ao uso de “garras” — metáfora para a capacidade do agente de “agarrar” tarefas e executá-las. O nome precisou ser alterado posteriormente por questões de marca, mas a ideia central permaneceu.
E o que muda dos atuais agentes para a nova unidade de IA? O bot da Nutrient tem acesso real ao sistema e executa ações encadeadas de forma autônoma a partir de comandos em linguagem natural. Além disso, diferentemente dos assistentes baseados na nuvem, o Moltbot roda no computador do próprio usuário, sob seu controle direto.
Uma metáfora útil para entender essa mudança é: imagine a diferença entre pedir ajuda a alguém que só pode falar e pedir ajuda a alguém que pode efetivamente agir. O Moltbot não substitui o raciocínio humano, mas elimina a fricção entre decidir e executar.
Em um exemplo concreto, um executivo que estava testando o novo bot combinou com sua secretária de mandar um convite para uma reunião. Ela sugeriu para chamar mais pessoas. O executivo só pediu ao Moltbot: “veja meu histórico do whatsApp e faça o convite.” O assistente foi no whatsapp, leu a conversa com a secretária para entender o contexto, viu o nome das pessoas que ela pediu para convidar, encontrou o contato delas no Gmail e enviou um convite de reunião para todos, num horário disponível na agenda.
Seria como se você tivesse uma espécie de “secretário digital”. O agente pode receber instruções por aplicativos de mensagem, interpretar pedidos relativamente complexos e transformá-los em ações concretas: ler e responder e-mails, organizar documentos, monitorar eventos recorrentes, executar scripts, buscar informações na web e registrar resultados.
O ponto central não é apenas a automação, algo que já existe há décadas, mas a flexibilidade cognitiva. Em vez de regras rígidas do tipo “se acontecer X, faça Y”, o Moltbot entende intenções expressas em linguagem natural e decide como executar a tarefa com base no contexto. Na vida pessoal, por exemplo, você simplesmente pode pedir para ele cancelar assinaturas sem ter que ficar entrando nas páginas dos serviços ou pedir para ele monitorar os preços de um produto e avisar quando, efetivamente, estiver no menor valor já oferecido. E comprá-lo, se for sua intenção.
Essa abordagem representa uma mudança importante no modelo de uso da IA. O agente deixa de ser uma interface — algo com que você conversa e começa a se tornar infraestrutura invisível, semelhante à eletricidade ou à internet. Imagine um ecossistema de agentes de IA interagindo e realizando tarefas em segundo plano? Pode até ser assustador, mas até você perceber que as coisas estão andando sozinhas e seus problemas, diminuindo.
Os riscos do faz-tudo digital
Naturalmente, esse nível de autonomia traz riscos. Dar a uma IA acesso a arquivos, e-mails ou sistemas é equivalente a entregar informações muito pessoais. A própria discussão em torno do Moltbot reacendeu debates sobre segurança, confiança e limites da automação, algo que tende a se intensificar conforme agentes desse tipo se tornem mais comuns.
O mais importante, porém, é o que o Moltbot simboliza. Ele não é apenas um produto isolado ou uma moda passageira, mas um indicativo claro de para onde o mercado está se movendo. No médio prazo, isso pode significar agentes especializados cuidando de tarefas administrativas, operacionais e técnicas, enquanto humanos se concentram em decisões estratégicas, criatividade e supervisão.