De acordo com o jornal, as conversas ainda estavam em estágio preliminar e envolviam apenas trocas iniciais, com base em relatos de pessoas familiarizadas com o assunto. A publicação também afirmou que a Ford avaliou possíveis parcerias com outras montadoras chinesas, entre elas a BYD.
Procuradas pelo Financial Times, Ford e Xiaomi negaram a existência das negociações. Já a BYD preferiu não comentar o tema.
As informações sobre possíveis parcerias surgem em um momento de crescente tensão comercial entre Estados Unidos e China, marcado pela rivalidade em setores estratégicos como manufatura e logística global.
Ao mesmo tempo em que fabricantes chinesas de veículos elétricos buscam acelerar sua expansão internacional — pressionadas pela forte concorrência interna e pela capacidade excedente no mercado doméstico —, a entrada no mercado americano enfrenta obstáculos geopolíticos cada vez maiores.
Nos últimos anos, montadoras chinesas de veículos elétricos têm evitado os Estados Unidos, tanto por causa das tarifas elevadas quanto por fatores políticos. Em contrapartida, a expansão tem sido intensa em outras regiões. Na Europa, por exemplo, fabricantes chinesas alcançaram participação recorde em dezembro, respondendo por quase um em cada dez carros de passeio vendidos no continente.
O Canadá, por sua vez, firmou no mês passado um acordo com a China para reduzir algumas barreiras comerciais e reaproximar as relações bilaterais. Entre as medidas, está a autorização para a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses no mercado canadense, com tarifa de aproximadamente 6%, eliminando uma sobretaxa de 100% que havia sido imposta em 2024 para alinhar a política comercial do país à dos Estados Unidos.
O presidente americano, Donald Trump, no entanto, ameaçou impor tarifas de 100% sobre todas as exportações canadenses aos Estados Unidos caso o país leve adiante o acordo comercial com a China.