O investimento previsto é de US$ 150 milhões, com a compra de 80% de uma holding recém-criada que reúne dois ativos produtivos no país pela Oman Food Capital, que permanece como sócio com 20%.
No comunicado, a empresa diz que a iniciativa responde à estratégia de diversificação geográfica e de proteínas e à busca de proximidade com mercados consumidores estratégicos, além de enquadrar a joint venture como “contribuição para a segurança alimentar local e como base para atender o mercado global halal”.
LEIA MAIS: A nova fronteira da disputa entre JBS e MBRF: a mesa do consumidor muçulmano
Pelo desenho divulgado, os recursos serão direcionados principalmente para concluir a planta integrada de aves da A’Namaa, em Ibri, no norte de Omã — a cerca de 380 quilômetros a oeste de Mascate e 280 quilômetros ao sul de Dubai. Os aportes também vão para a unidade de processamento de carne bovina e cordeiro da Al Bashayer, em Thumrait, no sul do país.
Com esses investimentos, a operação deverá alcançar capacidade industrial estática estimada de mais de 300 mil toneladas por ano. O processamento diário projetado gira em torno de 1.000 bovinos, 5.000 cordeiros e 600 mil aves. A expectativa é que a produção comece em até seis meses para carne bovina e ovina e em 12 meses para aves.
JBS e MBRF numa disputa de território
O movimento é mais um num tabuleiro disputado pelas gigantes brasileiras de proteína: o mercado halal. No mesmo mercado, a MBRF já tem um negócio de US$ 2,1 bilhão de receita anual com a Sadia Halal, que está em preparação para abertura de capital em 2027. A fatia da Sadia nos mercados do Golfo é expressiva: 36,9%.
Mas a JBS tem avançado nesse mercado de US$ 1,5 trilhão de dólares e de 2 bilhões de consumidores – segundo estimativas da NielsenIQ. A empresa já havia divulgado investimentos de cerca de meio bilhão de reais em fábricas próprias e na expansão da marca Seara na Arábia Saudita e em países vizinhos — com a promessa de dobrar a produção de frango no país até o fim deste ano.
No fim de janeiro, a companhia levou seus principais executivos para a inauguração de uma nova área de produção na Arábia Saudita, reforçando o peso que a região passou a ter no plano de crescimento do grupo.

Essa ofensiva ganhou tração a partir de 2021, quando a JBS adotou uma estratégia mais agressiva para o mercado árabe: primeiro, comprou uma fábrica em Dubai e outra em Dammam.
Três anos depois, deu um passo além ao anunciar a construção de uma planta em Jeddah, seu primeiro projeto greenfield no Oriente Médio. Inaugurada em 2025, a unidade deu escala industrial à operação: já funciona perto da capacidade máxima e foi projetada para dobrar de tamanho, servindo como base para abastecer não apenas a Arábia Saudita, mas também mercados vizinhos do Golfo — como Emirados Árabes, Omã e Kuwait.