As projeções baseadas nos números divulgados apontam para o pagamento de US$ 1 bilhão em dividendos ordinários para o trimestre. O valor representa uma queda expressiva comparado aos US$ 2,2 bilhões distribuídos no terceiro trimestre de 2025 e aos US$ 2,5 bilhões vistos no quarto trimestre de 2024.
Com isso, o dividend yield estimado fica em 1,1% para o período — um patamar modesto para os padrões históricos da estatal. No terceiro trimestre o DY alcançou 3%.
Alguns fatores explicam essa “seca” no quarto trimestre:
- Petróleo em baixa: o recuo de 7% nos preços do Brent no trimestre impactou o ebitda (lucro operacional), estimado em US$ 10,6 bilhões (queda de 12% na comparação trimestral).
- Pressão no fluxo de caixa: a companhia teve gastos extraordinários, como o pagamento de US$ 1,3 bilhão referente ao leilão do pré-sal vencido em dezembro e investimentos sazonais que elevaram os gastos operacionais para US$ 6,4 bilhões (salto de 30% na comparação trimestral).
A Petrobras deve encerrar 2025 com investimentos totais de US$ 19,7 bilhões. O montante supera em 7% o guidance (meta) de US$ 18,5 bilhões previsto no Plano Estratégico 2025-29, segundo estimativas do Itaú BBA.
Os analistas do banco avaliaram, em relatório, que a antecipação de investimentos se trata de uma aceleração operacional, mas que, no curto prazo, drena a liquidez disponível para remuneração aos acionistas.
Produção recorde, vendas em queda
A produção de óleo e gás atingiu 3,1 milhões de barris de óleo equivalentes (boed) no quarto trimestre, mantendo os níveis recordes do trimestre anterior.
No entanto, o mercado interno apresentou sinais de cansaço, com queda de 2% nas vendas de derivados, diante da demanda sazonalmente mais fraca por diesel e paradas para manutenção em refinarias.