A Toyota está protegendo seu compromisso de investimento de quase US$ 1 bilhão na fabricante de táxis aéreos Joby Aviation ao solucionar gargalos nos processos de produção e avaliar um papel mais profundo na manufatura.

A montadora japonesa, que no ano passado se tornou a maior acionista da Joby, tem uma equipe de quase 200 funcionários trabalhando para fornecer peças críticas, treinamento e conhecimento de linha de montagem. Isso envolve a implementação de um conjunto de princípios de manufatura enxuta conhecido como Sistema Toyota de Produção (TPS, na sigla em inglês), afirmou Sandy Lobenstein, vice-presidente do grupo de mobilidade aérea da Toyota.

“Estamos realmente tentando trazer o TPS e sua filosofia para as operações aqui”, disse Lobenstein a repórteres durante visita à fábrica da Joby. “Esses tipos de inovações estão ajudando a melhorar o tempo até a produção e a expansão da escala.”

A Joby está entre um grupo seleto de startups que desenvolvem aeronaves eVTOL — veículos elétricos de decolagem e pouso vertical — para transportar passageiros em trajetos curtos por meio de táxis aéreos movidos a bateria. A empresa, com sede em Santa Cruz, Califórnia, atualmente está estruturada para produzir uma aeronave por mês, mas planeja elevar esse número para até quatro por mês até 2027.

As ações da Joby, que divulgará resultados do quarto trimestre em 25 de fevereiro, acumulam queda de cerca de 23% neste ano. Elas recuaram acentuadamente no mês passado após a empresa anunciar uma oferta de US$ 1 bilhão em ações e títulos conversíveis para levantar recursos. O papel subia 2,9%, para US$ 10,16, às 10h35 em Nova York, na sexta-feira.

A certificação completa para operações comerciais pela Federal Aviation Administration e por reguladores de outros países ainda está pendente. A Joby havia informado anteriormente que pretendia iniciar serviços comerciais de transporte de passageiros em Dubai no começo deste ano, mas o cronograma exato permanece incerto. A empresa já adiou metas anteriores de início das operações, que previam 2024 e depois 2025.

“Estamos mirando começar a transportar passageiros ainda neste ano”, disse Eric Allison, diretor de produtos da Joby, a repórteres.

Testes de estresse

Enquanto aguarda a certificação — e a liberação da parcela final de US$ 250 milhões do total prometido de US$ 894 milhões pela Toyota — a companhia está montando protótipos e realizando testes de estresse em peças e processos de fabricação. A Joby não especificou a taxa de defeitos das peças em teste, mas Allison afirmou que o número de componentes fora de conformidade “está evoluindo na direção certa”.

A gigante automotiva agora avalia uma proposta de aliança estratégica de manufatura para fortalecer ainda mais a relação antes da prevista expansão da produção da Joby. A empresa afirmou que pretende fabricar até 500 aeronaves por ano após ampliar suas instalações na Califórnia e em Ohio.

A Toyota começou a financiar a Joby em 2020, dois anos depois de seu braço de venture capital participar de uma rodada de captação. À medida que o investimento cresceu, a montadora assumiu um papel mais relevante. Lobenstein passou a supervisionar a parceria há um ano.

Por ora, o papel principal da Toyota é consultivo, além do fornecimento de subcomponentes essenciais para os motores das aeronaves da Joby. O chefe de manufatura da Toyota na América do Norte, Kevin Voelkel, visitou as operações da Joby duas vezes — a mais recente neste mês — para compartilhar orientações sobre eficiência e segurança.

Os sinais visíveis da Toyota são escassos no principal centro de produção da Joby, próximo a Monterey, Califórnia. Diferentemente das próprias fábricas da montadora ou até da unidade de jatos da Honda Motor Co. na Carolina do Norte, não há uma linha de montagem central. As peças são montadas em diferentes estações de trabalho em um hangar e depois transportadas de caminhão para um galpão próximo para a montagem final.

Também não estão presentes os tradicionais cordões “andon” da Toyota para sinalizar problemas, robôs transportando caixas de peças ou faixas nas paredes incentivando os funcionários com frases como “Segurança é Nº 1!”. Atualmente, a Toyota tem cerca de 30 funcionários no local.