Um dos principais desafios do CEO da Vale, Gustavo Pimenta, é impulsionar a produção de cobre da mineradora nos próximos anos. A empresa precisa diversificar o seu portfólio para reduzir a dependência do minério de ferro e fazer frente à concorrência pesada em um cenário de transição energética global.

Existem caminhos para se alcançar isso. Um deles – e menos provável – seria por meio de uma fusão estratosférica, como a ensaiada pelas gigantes Glencore e Rio Tinto. O outro é ampliar a produção própria por meio de investimentos e parcerias, caminho escolhido pela administração de Pimenta.

A Vale tem destacado o projeto Novo Carajás como uma alternativa estratégica para crescer sua produção de cobre. Até 2030, a mineradora pretende investir cerca de R$ 70 bilhões para ampliar sua operação no Pará.

Além da ampliar a extração do metal alaranjado, extremamente cobiçado para a transição energética, a unidade localizada em Parauapebas irá ajudar a impulsionar a produção de minério de ferro de alta qualidade, buscado pelas siderúrgicas que querem reduzir suas emissões.

A empresa também mantém obras para o projeto Bacaba, que recebeu aprovação da licença de instalação. O objetivo da unidade será estender a vida útil do Complexo Minerário de Sossego, também no Pará, adicionando aproximadamente 50 quilotoneladas por ano (ktpa) de cobre ao longo de seus oito anos de operação, com um aporte estimado de US$ 290 milhões.

Também há uma parceria da subsidiária Vale Base Metals com a Glencore para avaliar a extração de cobre na Bacia de Sudbury, no Canadá, visando uma futura joint venture em que cada empresa terá 50% das ações. O projeto deverá produzir 880 kt de cobre ao longo de 21 anos, com investimento estimado de até US$ 2 bilhões.

Sob este cenário, Pimenta afirma que a Vale não vislumbra nenhum M&A no horizonte. “Eu acho que a nossa grande vantagem é que não precisamos fazer M&A para crescer em cobre. Temos projetos e, por isso, a nossa prioridade é avançar no desenvolvimento do nosso próprio portfólio, que é o que vai gerar valor no longo prazo”, afirmou o CEO, em coletiva de imprensa após a divulgação dos resultados da empresa no quarto trimestre de 2025.

Em 2025, a empresa atingiu níveis não vistos desde 2018 para a produção de cobre e minério de ferro e também obteve desempenho acima do esperado para a produção de níquel.

A produção de cobre, especificamente, cresceu 10% no ano, para 382 mil toneladas métricas. Os ganhos foram influenciados por uma maior demanda, mas também pela valorização da commodity, já que o valor médio do cobre subiu 20% em 2025, para US$ 11.003 por tonelada.

IPO da Vale Base Metals

Em 2025, muito se falou sobre a possibilidade de um IPO da subsidiária Vale Base Metals (VBM). Pimenta, no entanto, descarta algo do tipo no curto prazo. No ano passado, a unidade de metais básicos entregou um resultado operacional (Ebitda) de US$ 3,3 bilhões, crescimento de 131% na passagem anual.

“Quando eu cheguei aqui há quatro anos e meio, a gente falava muito do turnaround de VBM, porque o business tinha desafios operacionais. Depois de muito trabalho a gente conseguiu virar essa chave. Tem sido uma história operacional positiva, ainda em progresso”, disse Pimenta.

O objetivo da empresa, lembrou o executivo, é desenvolver um portfólio de 700 mil toneladas de cobre nos próximos anos.

Alertas

Se com o cobre o viés é de alta, o mesmo não pode se dizer do níquel. A commodity perdeu valor nos últimos anos, o que gerou um sinal de alerta para a Vale. Há uma tentativa de se controlar a oferta da Indonésia, a maior produtora de níquel atualmente, o que poderia ajudar a uma retomada dos preços.

A empresa também aguarda a liberação do retorno das atividades de um complexo minerário em Ouro Preto, em Minas Gerais. Em 25 de janeiro, ocorreu um extravasamento de aproximadamente 260 mil metros cúbicos de material. O incidente afetou o Rio Maranhão e áreas da CSN, levando a Justiça a paralisar as atividades do local.

A paralisação foi concedida a pedido do governo de Minas Gerais e do Ministério Público mineiro. Pela decisão, as atividades somente poderão ser retomadas quando for comprovada tecnicamente a estabilidade e segurança de todas as estruturas do complexo. 

O CEO da Vale disse não ter pressa para a retomada do complexo e minimizou potenciais danos ao caixa da empresa. “Acho importante dizer que essas são operações que têm naturalmente um volume de produção menor nesse período do ano, que é um período chuvoso. Por isso a nossa expectativa em relação ao impacto para o ano é muito limitada e não muda o guidance“, completou Pimenta.