O grupo afirmou que pretende registrar ganhos consistentes de participação de mercado no Brasil, na Espanha e na França após uma revisão estratégica que levou à concentração das operações em países-chave. No caso brasileiro, a meta é atingir 20% de market share (participação no total das vendas do setor) até 2030, combinando expansão da rede, modernização de lojas e maior eficiência operacional.
O plano prevê investimentos em expansão e modernização de cerca de US$ 1,9 bilhão em 2026, com avanço gradual para aproximadamente US$ 2,2 bilhões até 2030, priorizando crescimento orgânico, digitalização e uso intensivo de dados e inteligência artificial. O recente fechamento de capital da operação brasileira (Carrefour Brasil) e o refinanciamento de dívidas no país ampliaram a flexibilidade financeira para sustentar esse ciclo de investimentos.
O Carrefour anunciou parceria com a VusionGroup para digitalizar seus hipermercados e supermercados na França, incluindo a implementação de etiquetas eletrônicas e soluções de eficiência operacional.
A companhia também mantém parceria com o Google em “comércio agente”, que utiliza agentes de IA para apoiar decisões de compras online. O plano prevê investimentos de € 100 milhões por ano (cerca de US$ 110 milhões) em projetos de inteligência artificial.
Metas financeiras até 2030
O plano liderado pelo CEO Alexandre Bompard estabelece corte anual de custos de cerca de US$ 1,1 bilhão (meta de € 1 bilhão por ano até 2030), além de margem operacional recorrente de 3,2% em 2028 e 3,5% em 2030.
A estratégia também prevê geração de € 5 bilhões em fluxo de caixa livre líquido acumulado entre 2026 e 2028 (cerca de US$ 5,4 bilhões), sustentada por expansão do modelo de franquias, sobretudo em lojas de proximidade, disciplina de capital e desinvestimento em ativos considerados não essenciais.
França e Espanha completam o tripé
Na França, o objetivo é atingir 25% de participação de mercado até 2030, com abertura de 1.000 lojas de conveniência, reforço na competitividade de preços e fortalecimento da marca própria e do programa de fidelidade.
Na Espanha, onde ocupa a segunda posição no setor, o grupo planeja abrir mais de 750 novas lojas até 2030, ampliando a presença no formato de proximidade e mantendo a disputa por preços como eixo central da estratégia.
Apesar das metas ambiciosas, analistas destacam que o grupo enfrenta desafios estruturais em mercados altamente competitivos como França e Brasil. A aposta da administração é que a combinação entre foco geográfico, digitalização e disciplina financeira permita elevar margens e fortalecer a geração de caixa ao longo da próxima década.