A passagem de Bad Bunny por São Paulo não é apenas mais um show internacional no calendário brasileiro de 2026. Pela primeira vez no país, Benito Antonio Martínez Ocasio desembarca na capital paulista para duas apresentações, nesta sexta-feira (20) e no sábado (21), em seu auge criativo e comercial.

O que já seria grandioso ganhou ainda mais dimensão depois que o astro porto-riquenho transformou o palco mais televisionado do planeta, o Super Bowl LX, em uma vitrine global da latinidade.

No centro da turnê está Debí Tirar Más Fotos, considerado por críticos internacionais um dos discos mais relevantes de 2025. O álbum consolidou o artista como força estética e comercial, ampliando sua influência para além do reggaeton e colocando a cultura latina no centro global. Sua estreia no Brasil acontece justamente quando essa conversa atinge um novo patamar.

Super Bowl: da música ao debate cultural

Quando Bad Bunny subiu ao palco do intervalo do Super Bowl, em fevereiro, o momento foi além do entretenimento. Tradicional vitrine da cultura pop norte-americana, o evento tem se tornado também um espaço de afirmação identitária e debate político.

A escolha de um artista latino, cantando majoritariamente em espanhol, foi interpretada como um gesto simbólico sobre imigração, diversidade e o peso econômico da população hispânica nos Estados Unidos.

O show foi acompanhado por cerca de 135 milhões de espectadores globais, segundo dados da National Football League (NFL), tornando-se um dos intervalos mais assistidos da história recente. O impacto foi aumento nos streams globais, crescimento nas buscas relacionadas a reggaeton e expansão do consumo de música latina fora dos mercados tradicionais.

A turnê em números

A Debí Tirar Más Fotos World Tour estreou no fim de 2025 já quebrando recordes. Nos primeiros 12 shows, arrecadou US$ 100,7 milhões (R$ 522 milhões), segundo dados da Pollstar, principal publicação global especializada na indústria de shows ao vivo.

Só na Cidade do México, oito apresentações consecutivas no Estadio GNP Seguros somaram US$ 86,7 milhões (R$ 450 milhões), um dos maiores faturamentos concentrados em uma única praça no ano, de acordo com a Billboard.

Mais de 2,6 milhões de ingressos foram vendidos na primeira semana de vendas globais da turnê, segundo dados divulgados pela produção dos shows. Analistas do setor projetam que Bad Bunny deve alcançar US$ 1 bilhão (R$ 5,18 bilhões) em receitas acumuladas de turnê mais rápido do que qualquer artista latino na história.

A força econômica já foi testada em Porto Rico, terra natal do artista. Sua residência de 2025 no Coliseo de Puerto Rico teria movimentado cerca de US$ 380 milhões (R$ 1,9 bilhão) na economia local. Agora, São Paulo, maior mercado consumidor da América Latina, entra no circuito.

Bad Bunny, de Vega Baja para o mundo

A estreia no Brasil ocorre quando Bad Bunny já é uma potência financeira. Segundo estimativas publicadas pela Finance Monthly e pela Forbes, seu patrimônio líquido gira em torno de US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões) em 2026.

Boa parte dessa fortuna vem do streaming. Ele liderou o ranking global do Spotify quatro vezes (2020, 2021, 2022 e 2025) e acumula mais de 100 bilhões de reproduções no catálogo, com cerca de 19,8 bilhões de streams apenas em 2025, segundo dados oficiais do Spotify Wrapped. A Forbes estima que seus royalties digitais anuais ultrapassem US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 150 milhões).

A virada financeira decisiva aconteceu em 2022. Naquele ano, duas turnês consecutivas (El Último Tour Del Mundo e World’s Hottest Tour) somaram US$ 435 milhões (cerca de R$ 2,175 bilhões) em arrecadação, o maior valor registrado por um artista em um único ano até então, segundo a Pollstar.

Desde então, Bad Bunny deixou de ser apenas um astro latino para se tornar um dos principais ativos da indústria global do entretenimento ao vivo.

Nascido em Vega Baja, Porto Rico, Benito trabalhava em um supermercado enquanto publicava músicas no SoundCloud. O sucesso de “Diles”, em 2016, abriu as portas para a Rimas Entertainment, gravadora e empresa de gestão porto-riquenha fundada em 2014, que se tornaria peça central na internacionalização do reggaeton ao apostar em autonomia criativa e forte estratégia digital.

A parceria marcou o início da ascensão global de Bad Bunny. Sem abandonar o espanhol ou diluir sua identidade cultural, transformou a língua em ativo global.